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domingo, 13 de janeiro de 2013

Folhas Soltas de Cadafaz Por A. Silva


Falecimento
   Quase a terminar mais um ano, e mais uma vez, uma triste notícia: o falecimento da D. Cecília de Jesus Alves Martins, viúva de Aníbal Martins, mãe de Deolinda e Luciano Alves Martins e avó de Vera e Sérgio. Era natural da povoação de Tarrastal e residente nesta povoação. Embora ultimamente permanecesse junto de seus filhos, vinha de amiúdo ao Cadafaz.
   Era uma senhora muito participativa, bem disposta e conversadora.
   O seu desaparecimento vai acentuar a ausência de comunidade na nossa aldeia. Mas, a Vida e a Morte algo o predomina. Pelo que, apenas me resta endereçar os meus sentidos pêsames a todos os familiares e amigos e pedir a Deus que a tenha em Paz eterna.
50° Aniversário da União Recreativa de Cadafaz
    O 50° aniversário da União Recreativa de Cadafaz foi festejado com alegria, suspanse e alguma dúvida... Será que ressuscitou? Será que Rejuvenesceu... Pelo menos a confraternização e as recordações memoráveis aos antigos "Combatentes do Regionalismo" esteve presente, dando provas de fé e esperança, embora todos saibam que têm um sinuoso caminho a trilhar. Oxalá o consigam ultrapassar, aliás estou convencida que os jovens dos 5 aos 100 anos estão com eles.
   E aqui não posso deixar de incluir neste artigo o meu grato reconhecimento ao Exm.º Sr. Fernando A. Almeida, pelas frases elogiosas que nos endereçou, referido-se aos meus modestos artigos. A verdade é que são estas e muitas mais que me têm levado a expressar nas palavras a alegria ou saudade, memorizando o Cadafaz e as pessoas com quem tive o prazer de partilhar e conviver. Hoje, infelizmente, só nos resta recordar.
Bom Ano de 2013
   Um novo ano vai começar, repleto de incertezas, sem perfectivas futuras. Porém as Leis e Obras estão nas mãos dos Homens e eles serão ou não dignificados consoante o que fizerem.
   Quanto ao destino de cada um é regido por cada um de nós e por algo que nos domina. Pelo que, a esperança e a felicidade em cada dia será um bem a não perder. Portanto: um Muito Bom Ano para toda a equipa do Jornal O VARZEENSE e para todos os seus leitores e amigos.
Cadafaz, dezembro de 2012

in O Varzeense de 30 de dezembro de 2012

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Folhas Solta de Cadafaz por A.Silva

  Praias Fluviais
  Que é isso? Seria certamente a pergunta perplexa dos nossos antepassados do meio rural, e muito especialmente, tratando-se de um bem precioso -a água- se, não tinham água no domicílio quer para pessoas ou animais e, por vezes, nem sequer para beber, em anos de grande seca, tendo de recorrer aos nascentes ou fontes de chafurdo mais distantes. Para a lavagem de roupa eram procurados os poços, banho diário, que ideia, era um luxo, possuir um grande alguidar de zinco destinado a essa função. Ou então a ida ao moinho do rio no verão era ideal, enquanto se moía o grão dava hipótese de um banho refrescante num local recôndito... Que também pouco beneficiava ao pensar na excessiva subida o rio até à aldeia, com o pesado saco de farinha. Mas ao domingo era dia de "barrela" ao corpo, roupa e alma (missa).
  Tempos idos - Hoje já não se utiliza o velhinho alguidar, basta apenas munir-se de toalha e dirigir-se aos novos "Banhos públicos e termais" (não dos romanos) mas nas praias fluviais. Isto porque em qualquer recanto do rio ou da ribeira, com alguns metros cúbicos de água retirada ao seu normal curso, foi feita uma praia fluvial.
   Que é um prazer para os grandes e pequenos, é verdade. Que tem utilidade, durante um ou dois meses do ano, é verdade. Que foi mais uma nova tecnologia hidráulica para serem apenas gastos alguns milhões de "cêntimos" é verdade. Que se o rio pachorrento de verão se tomar agressivo no inverno e destruir tudo, requerendo o seu domínio e leito normal de muitos e muitos séculos, talvez tenha razão e aí adeus praia fluvial...
  Aproveitando o tema, e ao verificar que também esta freguesia, entrou na rota das praias fluviais. Interrogo-me se, não será também profícuo, urgente e de primeira necessidade a construção do TANQUE DE APOIO AOS BOMBEIROS, nesta povoação de Cadafaz, cujo assunto há anos tem sido debatido e prometido? Aliás é a única freguesia do concelho onde tal situação se encontra, inclusive as bocas de incêndios colocadas há imenso tempo não estão em condições de funcionar, falta de verificação ou manutenção. Não sei a quem compete tal missão, apenas sei que os poucos residentes é que serão os prejudicados.
  Mais um ano, e os fogos por perto nos fizeram pôr em alerta, como e quem nos ajuda se não há nem sequer condições físicas?
  Ou será que já pouco interessa os que restam...

   Falecimento
  No dia 7, do corrente mês, faleceu na Lousã, a Sr.ª D. Arminda Almeida Gaspar, com 86 anos. Era natural do Colmeal e residia em Cadafaz. Era viúva de Virgílio Alves Gaspar e mãe de Hélder Almeida Gaspar. Mais uma vez, vimos desaparecer da nossa aldeia uma senhora de grande estima e simpatia acentuando a já grande falta de comunidade. O seu funeral teve grande acompanhamento para o cemitério desta povoação. Resta-me apresentar sentidas condolências a seu filho, nora, neta e restante família. Pedindo a Deus que a conserve em Paz eterna.
  Cadafaz, Setembro de 2012  

in O Varzeense de 30 de setembro de 2012

 

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Folhas Soltas de Cadafaz por A.Silva

Corpo de Deus e Missa em Louvor de Santo António
No dia 7 de junho celebrou-se, na povoação de Cadafaz, a cerimónia em louvor do Corpo de Deus, com a presença do Sr. P.e Narciso, vindo de Coimbra, que constou de missa e procissão, com a sagrada eucaristia, pelo que, para dignificar tão antiga solenidade, foi feita unia passadeira de verdura e flores, desde a igreja matriz à capela de Santo António.
Bem-haja aos que tornaram possível tal feito, já que a comunidade vai diminuindo velozmente.
Também no domingo, dia 18, foi celebrada missa pelo Rev. P.e Carlos, em louvor de Santo António, na sua capela. Decorrendo, como habitualmente, o leilão de ofertas.
Não muito longe vai o tempo em que esta era a uma das grandes cerimónias da aldeia. A capela era pequena e as ofertas muitas e grandes. Tal a devoção ao santo e reconhecimento da proteção aos familiares e animais domésticos. Hoje resta a memória do passado, até na comparência dos devotos das povoações da freguesia, que também tem diminuído em referência à assiduidade das festas religiosas na igreja matriz e não só. Claro que somos poucos... por isso mesmo deveríamos ser mais solidários.
Mas, de quem será a culpa? Do pastor ou das ovelhas!...

Falecimento
No dia 22 de junho, faleceu, nos Hospitais da Universidade de Coimbra, a D. Maria Odete Simões Folgosa, natural e residente nesta povoação. Embora desde algum tempo o seu estado de saúde fosse diminuindo, nada previa um final tão rápido e triste.
Pessoa de fino trato e sempre prestável, a colaborar quer nos assuntos religiosos, quer ajudando os vizinhos. Mais uma grande amiga desapareceu e uma casa se fechou.
Sei que as frases ou palavras são inúteis em tais situações, pelo que rogo a Deus e à sua infinita misericórdia coragem para os seus queridos filhos e amigos a fim de ultrapassarem tão grande perda.
Ficará para sempre na nossa memória.
Cadafaz, 24 de junho de 2012

in O Varzeense de 30 de junho de 2012


segunda-feira, 21 de maio de 2012

Folhas Soltas de Cadafaz por A.Silva

Que aconteceu a Cadafaz? Uma povoação cheia de vida, alegria e perseverança. O que aliás ainda tenta persistir na nossa memória, "cuja teimosia não quer deixar esquecer o passado". Porém a realidade é visível, constante e triste, mas não podemos deixar extinguir a luz da esperança e sobrevivência. Já que tanto nos foi legado pelos antepassados, certamente com a intenção de que todas as suas obras e sacrifícios seriam perduráveis.
Mas, tal não está acontecendo, pelo que se torna deveras apreensiva tal situação. Que se passa afinal com a comunidade cadafazense? Com as entidades responsáveis, representantes, autarcas, inclusive as coletividades, enfim, as promessas feitas, adquirir, acabar ou conseguir, que têm passado de ano após ano, como por exemplo: a rede móvel, o tanque para apoio a combate de incêndios, o alcatroamento da estrada Cadafaz-Selade do Braçal, arranjo do lavadouro, além do que se tem deixado retirar, sem qualquer preocupação na sua resolução, benefícios estes essenciais para a população residente e, que certamente já poderiam ter sido contemplados com verbas gastas noutras inaugurações interpoladas, semiesquecidas e inacabadas. Sabemos que nas últimas décadas, muita coisa mudou ou modificou, criando-se títulos cujos pedestais não tinham sido assentes em rocha firme, nasceram ideais de fantasia cor de rosa e feitos fantasmas, (tivemos vários e continuamos a ter) nesta povoação alguma de destaque em notícias - o Lar em Cadafaz, a Quinta Pedagógica, Auditório com ar condicionado e circuito fechado TV-Internet e por último a Confraria na sede de freguesia? …) Olhamos em redor, e que vimos nós? Promessas tendenciosas.
Creio que o nosso, planeta Terra, começou a rodar velozmente, cujo eixo se ressentiu na sua meteórica e vagarosa rotação. Agora que nos reservará o futuro? Quando os valores humanos tem desaparecido e à medida que a comunidade vai diminuindo, vão também sendo esquecidas as obrigações por quem de direito e com deveres ao acompanhamento, valorização e deferência à comunidade ainda existente. Mas quando se observa, a realização de eventos informações de interesse público ou outros, e escolhida determinadas localidades do concelho ou povoação da freguesia - porque - tem mais gente... Como se os poucos, tenham culpa de ser menos, e portanto, não vale a pena!
Também, felizmente tem sido criados vários locais de apoio e informação no Concelho, mas será possível as pessoas terem possibilidade de aí se deslocarem, como... E quantas vezes mesmo no local, no caso de serviços administrativos deparam com acessos inacessíveis para deficientes, escadas sem rampas de acesso. Também as Placas, em locais visíveis dos referidos serviços, fossem de algum benefício, inclusive há serviços que são desconhecidos pelos munícipes que moram fora da vila. Isto talvez pela falta de informação nas localidades. É certo que há uma grande percentagem de idosos, mas não é ir formando uma espécie de muralha em redor de cada aldeia, que se lhes dá alguma réstia de qualidade vida, quer de acompanhamento moral, físico ou intelectual, inclusivamente perdem-se assim os seus conhecimentos adquiridos ao longo da sua existência. Também não é dos gabinetes através do telecomando ou pulseira, o que parece estar a iniciar-se... No entanto, sabemos, que nos últimos anos a solução concentrou-se nos estabelecimentos para idosos (se lhes dou este nome, porque alguns nem sequer são dignos de tal classificação, mas, parece ser hoje uma grande valia para o país, tal o império que se tem que se tem conseguido, em parte, à custa dos indefesos seres humanos, sem voz para reclamarem o modo de tratamento. Não é raro que ao visitar alguns desses locais observamos olhos tristes sem lágrimas, bocas sem sorriso, sabendo-se que entre eles ainda se encontram mentes que podiam ser válidas no seu meio habitacional. Porém, a ausência de meios financeiros e familiares a isso os obriga. Será uma situação no final de vida e feliz? Não creio. Recordo que esta povoação nos anos de 1950/60, teria cerca de 80-100 habitantes acima de 60 anos, o que me faz pensar: haverá hoje idosos a mais, ou a falta de acompanhamento e condições de vida por parte das suas gerações para que possam cuidar deles e dos filhos? Para parte desta solução talvez que as instituições de solidariedade social e humanitárias deveriam incidir mais diretamente entre o idoso, crianças e familiares consoante os casos. Mas, nem sempre acontece e o resultado é abandonar o seu pequeno palácio ou morrer só... Enfim, estamos perante sistemas, ações e ideias demasiado complexas, para as quais, mesmo algum com verdadeira proficiência, dificilmente conseguirá dar solução. – E, são estas e outras situações que nos preocupam em Cadafaz, pelo que, não posso deixar de repetir: Esta não é a aldeia e freguesia que conheci, onde a vitalidade, o diálogo, a cooperação o e interesse, estavam presentes, precisamente o contrário do que hoje se verifica.
Numa altura (segundo o que vimos na imprensa), todos os núcleos das grandes ou pequenas freguesias e aldeias, estão em movimento e interessados numa resolução do seu torrão natal, qualquer que sejam os seus ideais, idades ou categorias... Cadafaz... Que fez... que explicou à comunidade ... Será como habitualmente um assunto unilateral.
- Não pretendo com este meu artigo medir tudo e todos pela mesma "bitola", e muito menos incluir política. A experiência de vida e o caminho percorrido, ensinaram-me a saber separar o trigo do joio, o que continuarei a fazer isenta de hipocrisia ou malabarismo. Concluirei, respeitando uma das versões bastante habitual, "Os que falam... nada fazem". Mas serão esses que ficam aguardando o trabalho dos "calados". Oxalá seja profícuo para bem dos Cadafazenses existentes e vindouros.

Cadafaz, maio de 2012

in O Varzeense de 15 de maio de 2012

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Folhas Soltas de Cadafaz por A.Silva


SOLENIDADES DA PÁSCOA
Realizaram-se na freguesia de Cadafaz algumas das solenidades da Páscoa. Na sexta-feira Santa, procedeu-se à cerimónia da Via-Sacra, por um grupo de fiéis, na igreja paroquial. No Domingo, houve celebração de missa e procissão da eucaristia, tendo para estas cerimónias vindo um Sr. Pároco de Coimbra. A seguir começou a visita pascal nesta povoação e restantes aldeias, feita por dois grupos. Felizmente verificamos que, mais um ano, os nossos conterrâneos, amigos e muita juventude estiveram presentes, não deixando que pelo menos nesse dia nos sentíssemos menos tristes e sós. Claro que, tão antiga tradição se mantém ainda hoje, graças aos dois grupos de fiéis que para tal se prontificam de bom grado, visto que além da comunidade ter diminuído a missão continua a ser exaustiva e distante. Mas a sua boa vontade e sacrifício ser-lhe-á certamente aceite por JESUS - BEM HAJAM.
Também de relevar a preocupação e empenho que se esta verificando na recuperação e arranjo exterior e interior na nossa igreja que bem precisava e que felizmente a pouco e pouco vai mostrando a sua beleza, graças ao empenho dos seus zeladores. Outro assunto que sempre dignifica quem o pratica é a afixação no placar da igreja de informações referentes às despesas ou lucros sobre assuntos da igreja ou festividades e até das capelas. Tal gesto já há muito se pratica noutras localidades.
LIMPAR PORTUGAL
Este título faz-me pensar: Haverá presentemente pessoas ou produtos de limpeza suficientes para "limpar Portugal" ... Porém falando no bom sentido da ação, interrogo-me se será eficaz, limparem-se zonas envolventes, matas, veredas, distantes dos povoados? Quando à entrada destes se nos deparam autênticos montes dos mais diversos materiais desorganizados, inclusive "monstros" fora de uso. Por vezes o mesmo acontece no centro da própria aldeia, onde existe um pequeno recanto. Não seria melhor ser ocupado por uma árvore ou planta de jardim? Caso contrário vamos seguindo para uma degradação completa onde as pessoas vão sendo substituídas por desperdícios e … gatos.
A aldeia é uma casa de todos nós e de quem nos visita e são as suas casas velhinhas, ruas e becos que nos vão contando parte da sua identidade.
AS ESTRADAS CAMARÁRIAS
As estradas camarárias da margem esquerda do Ceira estão precisando de alguma atenção. Não sei a quem compete mandar, informar ou zelar, aliás sendo estas vias também bastante utilizadas pelas nossas entidades da comunidade, é estranho que não haja um pouco de reparo. Sabemos que os transportes são de "pernas altas" e os arranjos alguém pagará. No entanto, é com o devido respeito que solicito a quem de direito o obséquio de reparação ou verificação do estado em que se está transformando a estrada de acesso: Candosa - Cadafaz - Lomba da Relva - direção a Cerdeira ou Cabeçadas - cujos buracos no piso já não só afetam o carro como a condução, para mais, tratando-se, como se sabe, de uma via estreita.
A outra via, também na margem esquerda - Cadafaz - Cabreira, com os muros de resguardo, em parede, nas curvas, se encontram em ruína, talvez devido aos encostos das máquinas e transportes de longo porte.
Claro que os anos já lhes pesa, no entanto ainda não foi feita outra opção melhor ou de mais segurança e a promessa a alguns tempos feita, de alargamento das curvas da estrada até à Cabreira foi para juntar a muitas outras.

in O Varzeense de 30 de Abril de 2012


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Folhas Soltas de Cadafaz Por A.Silva

VELHICE – FELICIDADE – TRISTEZA – INSEGURANÇA e, que FUTURO?
Felicidade – porque ser idoso é sinal que apesar de todos os problemas com que se deparou, foi conseguido sobreviver.
Tristeza – porque observando o presente vê em seu redor, ausência de alegria, convivência familiar, inclusive o dom de apreciarem a essência da vida e da natureza.
Insegurança – porque, tanto a nível material como humano a decadência e a agressividade constante, já que a assistência humanitária ou misericórdia cada vez se distancia de quem mais delas precisa.
- Afinal que nos/lhe s reserva o futuro?
Claro que não vou dramatizar recuando ao passado, quando os idosos eram levados para a serra com uma manta apenas (este costume e outros piores podem-se ler na Coleção de Portugal de Perto – Povo Português Vol.10).
Também não vou pensar na época em que as crianças nasciam, viviam e partiam sem qualquer assistência médica. Aqui as mezinhas de família e as do Barbeiro das aldeias, iam atenuando as maleitas, caso contrário o repouso no leito (enxerga) e a companhia dos familiares e amigos eram obras de misericórdia.
Por último, a vinda do Cura encaminhava o enfermo para o seu destino final. Por estranho que pareça estas situações não se passaram assim há tantos anos…
Felizmente que as mentalidades foram aderindo a novos conhecimentos e no caso de doença, embora com os difíceis acessos de comunicação, estradas, carreteiras e atalhos, única ligação entre as aldeias e vila, o certo é que começou a recorrer-se à vinda do médico da vila, sendo apenas necessário enviar a Góis uma pessoa com um cavalo para a vinda e regresso. Recordo aqui o saudoso Sr. Dr. Bernardo, quantas vezes teria feito esse trajeto, e sabe Deus muitas sem receber qualquer valor monetário, devido à pobreza do paciente.
Porém, as zonas rurais começaram a ver uma nova luz com a criação das Coletividades. Foi graças a elas que as vias de comunicação e assistência foram melhorando. Foi pois por iniciativa da Liga de Melhoramentos da Freguesia do Cadafaz logo no seu início a aquisição de duas macas, uma para esta povoação e outra para a Sandinha (até então o transporte de doentes urgentes era feito numa padiola). A construção de um posto Médico foi também uma realidade concretizada em 1937, na povoação da Cabreira, para apoio a toda a freguesia, com consultas de rotina e pequenos tratamentos de enfermagem, para a época um grande benefício. Mas também aqui como sempre foi normal e parece continuar no presente, as verbas camarárias rareavam para as necessidades desta povoação e freguesia. Pelo que, a construção do Posto Medico e relógio ma povoação da Cabreira foi feito praticamente com verbas angariadas pela liga de Melhoramentos da Freguesia de Cadafaz e verbas de bens naturais na altura aproveitados tais como – verba do minério explorado no local do Lagar, venda do azeite do mesmo e renda do Moinho, Bens estes pertencentes À Igreja Matriz e ao Povo da Freguesia do Cadafaz, o que demonstra que a contribuição para tal imóvel foi através de toda a população. Inclusive o mobiliário foi oferta de um benemérito o material médico cirúrgico por outro. Era assim que as obras se concretizavam com amizade e cooperação, se tratavam as dificuldades.
Passados alguns anos começou também um Posto a funcionar em Cadafaz no edifício da casa de convívio, tendo passado em 1990 para um edifício restaurado, onde anteriormente funcionou o Registo Civil e Escola (hoje sede da Junta de Freguesia).
Mas, também o referido Posto veio a encerrar em 2009, pela povoação de Cadafaz passou a ter dias de atendimento marcados no Centro de Góis. Para o qual é feita a deslocação dos utentes em táxi disponibilizado pelas entidades da freguesia (8). Claro este modo de deslocação apenas é compatível para utentes com razoável locomoção. E certo que não estamos em tempo de melhorias, antes pelo contrário mas, incrédulo que ao longo dos anos passados, não tenha havido na Histórica Vila de Góis) a preocupação de recuperação ou construção de um edifício hospitalar condigno equipado com meios clínicos, enfermagem e médicos de modo a que não fosse necessário o doente em estado grave esperar na aldeia pela ambulância e depois chegar ao Centro e seguir outros tantos ou mais quilómetros para Coimbra.
Este era sem dúvida um grande empreendimento a nível humanitário e postos de trabalho qualificativos. Infelizmente, hoje só com um grande milagre, pelo que apenas nos resta: -Pedir os bons ofícios dos Representantes do Concelho, para que ao menos seja conservado o Centro de Saúde de Góis. E, aqui não posso deixar de enaltecer o atendimento, atencioso e eficiente que nos tem sido prestado, quer a nível médico, enfenarem ou administrativo, que apesar dos meios exíguos de que dispõem (análises ou radiológicos) conseguem proceder com grande bondade e dedicação o que por vezes e, em algumas situações é terapêutica ideal.
Porém a tristeza e incógnita mantem-se ao verificar-se a perda de serviços da comunidade constantemente inclusive os que eles fundaram.
Pelo que, a pergunta mantém-se:- Que Futuro? - Será que lentamente estamos voltando às origens... - Que legado encontrarão os nossos JOVENS? - Terão hipótese de começarem de novo?
Cadafaz, janeiro 2012 
in O Varzeense de 30 de janeiro de 2012

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Folhas Soltas de Cadafaz por A.Silva

Quem foi José Henriques de Almeida
Não pretendo com os meus artigos diferenciar este ou aquele conterrâneo, pois, que todos mediante as suas possibilidades, acalentavam o sonho de engrandecer a sua aldeia.
José Henriques de Almeida, natural desta povoação, foi também um dos que deu um pouco de si em pro da comunidade cadafazense. Tal como os da sua geração, fez parte da exaustiva pesquisa do volfrâmio nesta freguesia do qual nos contava alguns episódios menos felizes. E, na expectativa de melhor futuro seguiu para Lisboa. Empregou-se na C. Carris, foi funcionário no Ministério do Interior entre outras profissões. Foi Presidente da União Recreativa de Cadafaz, fez parte da Assembleia de Freguesia e em 1960 desempenhou o cargo do Posto de C.T.T. de Cadafaz. Em 1985, é nomeado presidente do Rancho de Danças e Cantares da Freg. cuja reorganização e Federação no INATEL foi o seu grande esforço tal como o da sua esposa, não se poupando a tentativas de angariação de fundos desde almoços, passeios e atuações. Pelo que, conseguiram não só apetrechar a Casa de Convívio com utensílios de cozinha e serviços de louça para os banquetes de confraternização e não só. Também a remodelação de roupa e calçado para o rancho foi uma das suas preocupações, o que na altura não era fácil devido aos valores monetários, damos como exemplo o custo de calçado adequado – 350.000$00 – sendo obtido com ofertas apenas 220.000$00. Comprou também instrumentos musicais, como uma concertina no valor de 150.000$00, aparelhagem sonora, etc. Não restam dúvidas que foram os melhores anos de êxitos do Rancho Folc. de Cadafaz. Mas a doença não se compadeceu, pelo que, em 1996, passou o cargo. E em 1997 foi-lhe atribuída a Medalha de mérito do Município de Góis, pelo Sr. Pres. José Cabeças.
Sabemos que os anos passam; as pessoas desaparecem e os seus feitos ficam por vezes incógnitos. Creio que devem ser transmitidos às novas gerações. Só assim eles perdurarão.
in O Varzeense de 15 de Janeiro de 2012

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Folhas Soltas de Cadafaz por A.Silva

SONHOS QUE FICARAM POR CONCRETIZAR
- Sonhar, faz parte de uma das funções da mente humana. E é a “Sonhar Acordado” que muitas vezes se idealizam grandes projetos, embora, por vezes, pareçam difíceis ou morosos, aliados a uma grande força de vontade e cooperação, tudo se vai conseguindo. A não ser que… Deus encurte a estrada da vida, já que é uma incógnita, que ninguém tem o dom de adivinhar. E, foi certamente o que surgiu para muitos dos grandes empreendedores desta povoação, não os deixando realizar os sonhos para a sua aldeia.
Verificamos, por exemplo, nos últimos 70/80 anos – Cláudio do Santos, primeiro Presidente da Liga de Melhoramentos da Freguesia de Cadafaz e outros elementos também de renome, em 1932, já lutavam pela célebre estrada de Góis-Cebola, e curioso… uma Farmácia na sede de freguesia, além de outros benefícios (alguns dos quais concretizados).
Em 1976 – Armindo Simões Nunes – transmitia a ideia de restaurar o Lagar dos Portos, em Cadafaz, afim de ser utilizado para turismo. –Projeto idêntico para a Relvas em 1986, por Manuel Joaquim Almeida, natural daquela aldeia pensava construir um edifício habitacional bem equipado e reconstrução das restantes habitações para fins turísticos, (aqui parece que imperou a burocracia). Mas também a do Minério no Castelejo esteve no pensamento de Fernando Simões e Virgílio Nunes dos Reis para as mesmas funções.
Em 1987 – Américo Alves Martins – relembra o tão desejado Museu em Cadafaz.
Em 1991 – Virgílio Nunes dos Reis, pede mais uma vez o alcatroamento da estrada Corterredor – Mestras.
Em 1992 – Américo Alves Martins, alerta mais uma vez o estado da Estrada térrea do Cadafaz ao Selade do Braçal, para quando o seu alcatroamento?
Havia muitos mais a enumerar, porém, passadas algumas décadas, tudo continua na mesma, esquecidos, sem qualquer começo ou continuidade. E no que se refere à parte do Turismo, talvez por azar, desconhecimento, ou falta de interesse da parte dos recentes representantes desta comunidade nunca foi conhecido qualquer interesse neste sentido. Embora nos últimos anos tenhamos assistido a grandes recuperações em aldeias de xisto, em zonas do Concelho, e onde nem sequer existem grandes comunidades, antes pelo contrário (o certo é que até os currais foram recuperados) e de vez em quando, alguém as vai engalanando, quanto mais não seja para justificar o seu dispêndio. Quantos pequenos benefícios se teriam feito nas freguesias do concelho.
Mas, vamos continuando a acalentar esta continuidade, pouco prospera, triste e solidária, onde alguns dos benefícios mais preciosos não têm sido concretizados. E, hoje com os tempos de crise com que nos presentearam pior será. A verdade é que não ansiamos obras faustosas de pompa e circunstância – essas já foram demais, nos últimos anos. Precisamos sim de obras feitas qua ainda nos venham a beneficiar no pouco tempo que nos resta, tais como: a recuperação do lavadouro público, prestes a ruir; um tanque de água próximo da povoação de Cadafaz, para apoio em situações de incêndio, já que nem sequer as bocas de incêndio colocadas há anos dentro da povoação têm sido revistas de modo a funcionarem; alcatroamento da atrás mencionada estrada de Cadafaz-Selade do Braçal, cerca de 6 quilómetros, e que beneficiaria também outras povoações e que, segundo consta, está dada como alcatroada, o que não corresponde à realidade (vasta verificar pessoalmente).
Quanto a servos públicos continuam cada vez mais em degradação. Os serviços da PT deixam a comunidade mais tempo sem comunicações que de atendimento. A rede móvel também parece ser mais uma das promessas dos nossos representantes.
Sobre o serviço do correio, como já tenho mencionado noutros artigos, foi retirada a caixa de receção para envio, o que nos leva a esperar (se puder deslocar-se) em local onde o funcionário passar e aqui devo salientar que estas caixas, hoje retiradas, foram pagas pelas comunidades. Por exemplo, a de Capelo, em 1936 custou 50$00, hoje é uma “pechincha”, mas ontem era dinheiro.
Concluindo: muito se fala do idoso, mas não basta dar-lhe de comer e distrações ilusórias. Eles foram os homens e mulheres que nos anos atrás lutaram por uma continuidade de vida mais profícua e não pela desatenção em que estão ficando. Inclusive no caso de assunto urgente (doença), etc. nem sequer os serviços por eles eleitos estão presentes ou disponíveis, ou estão… de oito em oito dias das 10 às 12. O que nos resta, se tivermos tempo, é deitar e esperar… esperar que um vizinho chame a voz do sino que era antigamente a voz do povo.
Para que nos servem afinal as novas tecnologias de que estamos rodeados?...
in O Varzeense de 15 de Novembro de 2011


domingo, 30 de outubro de 2011

Folhas Soltas de Cadafaz por A.Silva

Culto ao Sagrado Coração de Jesus
Consta que já no séc. XII, os Monges, nas margens do Reno, entoavam cânticos em louvor do Sagrado Coração de Jesus (1150 – Herman Joseph) e as imagens ou pinturas mais antigas foram feitas em Nevers por freiras, encontrando-se no Convento. Mas, segundo descreve Richard Lewinsohn, foi em 27-12-1673, que a freira francesa Marguerite Marie teve uma visão do Sagrado Coração de Jesus, que se foi repetindo e que a levou a dar conhecimento. Embora ao princípio não acreditassem acabou por pedir apoio ao P.e Jesuita Claude de la Colombiére, que a aconselhou a ir tomando nota do que dizia respeito a esses factos, que segundo a mesma, se tornavam cada vez mais recentes e credíveis.
Foi através dos Jesuítas a divulgação do Culto, sem interferência na sua Ordem. Durante Cerca de 300 anos, quase toda a sua literatura provem dos Jesuítas. Em 1726, Joseph Galliffeti vai a Roma pedir que se honre a S.C.J. e a instituição de uma festa, mas não conseguiu permissão. No entanto começavam por toda a parte as capelas e imagens a expandir-se, inclusivamente as Irmandades. Porém, só em 1765 a Congregação dos ritos foi a favor do culto. E mais, ativou a fé quando Adele Garnier, de França, teve a ideia de se construir uma nova Igreja, em Montmartre-Paris, em consagração do Culto. Foi construída em 1870/71 e é a partir dessa época que o Papa Leão XIII eleva a festa de 1ª Classe e Pio XI a que essa festividade deve dar direito à suspensão do trabalho.
Tornando-se assim uma das maiores organizações com mais de 100.000 centros, divulgação de literatura em 40 idiomas e com cerca de 145 milhões de membros. Tem sede na Cúria Geral Societ Jes. Roma.
(Livro consultado – História Universal do Coração - Richard Lewinsohn – Col, Vida e Cultura)
Nota: Felizmente, nesta freguesia é ainda das únicas Irmandades que se mantém, porém não possuo dados sobre o seu início ou total de irmãos.
Também teria havido a Irmandade do Santíssimo e a de Nossa Senhora do Rosário, mas, nada se sabe acerca da terminação do seu culto…
in O Varzeense de 15 de Outubro de 2011

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Folhas Soltas de Cadafaz por A.Silva

Faleceu a Miquelina
No dia 5 do corrente mês, fez precisamente um mês, que recebemos a triste notícia – faleceu a Miquelina. Tudo aconteceu rapidamente, o falecimento e a divulgação da notícia, mas a surpresa era superior ao nosso raciocínio, não era possível – devia haver engano. Mas, como normalmente as notícias tristes são sempre verdadeiras, esta era mais uma delas. A D. Miquelina de Almeida Pina, natural desta povoação, era esposa do Sr. Manuel Pina e mãe da Drª Paula Almeida Pina e Rui Pina (Já falecido).
Apesar da sua residência em Lisboa deslocava-se com muita frequência à sua aldeia com todos os seus familiares, tomando parte em todas as ações que diziam respeito à comunidade, a sua presença não só preenchia o seu lugar como ambientava todos em seu redor, tal a sua simpatia e forma expressiva, além de uma grande religiosidade que a levou a ser convidada para proceder à visita Pascal este ano e que assumiu com grande sentido de fé, ficando as suas palavras na memória de todos nós.
Infelizmente, deixou-nos demasiado cedo, mas, quem somos nós para contestar os desígnios de Deus. Resta-nos rogar para que se encontre em paz eterna e aos seus familiares desejar que tenham força e coragem para enfrentarem tão grande desgosto.
Pessoalmente recordála-ei com saudade e tal como ele era e estava bem disposta no dia 23 de Junho, deste ano, em redor da fogueira, em louvor de S. João, no largo de S. António. Para a qual nos veio convidar, pessoalmente, à nossa casa. Concluindo, um pequeno grupo mas uma grande confraternização. Obrigada D. Miquelina e até um dia.
Faleceu o tio João
Também no dia 2 do corrente outra triste notícia – faleceu o tio João. Era assim, num modo de simpatia e amizade, que se tratavam algumas das pessoas mais antigas da aldeia, pelo que, mesmo sem laços familiares não faltavam os tios e tias ou seja – todos pobres – mas todos iguais.
Com o desaparecimento de mais este conterrâneo Sr. João de Almeida não só ficámos cada vez mais sós, como vamos perdendo as histórias verdadeiras, divertidas ou cruéis que tanto dava prazer ouvir, são estas pessoas, verdadeiros dicionários da vida rural de antigamente, no caso do tio João desde o trabalho rural ao tempo passado em Lisboa, o minério e a venda que fez durante anos de sardinha para a qual se deslocava à vila de Góis, em dias de feira, com o seu alguidar de zinco ao ombro onde já levava parte do sal que restava da venda anterior.
Também, durante alguns anos, fez parte do rancho Folclórico de Cadafaz. Enfim, mais uma das pessoas, cuja vida daria para escrever um livro, mas, infelizmente, tudo fica esquecido no tempo. Resta pedir a Deus que lhe dê o descanso merecido e para todos os seus familiares, as minhas sinceras condolências.
Pedido de Desculpa
No meu artigo “Memória do Posto de Correios em Cadafaz”, publicado em 30/07/2011, por lapso, não mencionei o nome de Guilherme de Jesus Martins Paula, nos estafetas ou portadores de malas do referido posto. Aliás, é, sem dúvida, uma das pessoas por quem sinto grande respeito e saudade, até porque também foi um dos grandes mártires, não só pelo serviço exaustivo do transporte de malas e longo trajecto, como o foi também da guerra dos carvoeiros, isto para quem teve conhecimento, onde parecia não haver separação entre um negócio de lucro e a necessidade de uns tostões para sustentar a família, seria este o caso.
Mas, em todas as épocas houve os seus problemas e verificamos, afinal, que hoje ainda está pior que ontem. E, pelo facto acima descrito apresento as minhas desculpas aos familiares, com amizade.
in O Varzeense de 30 de Setembro de 2011


sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Folhas Soltas de Cadafaz por A.Silva

MEMÓRIA DO POSTO DE CORREIO EM CADAFAZ
Como já referi no meu artigo anterior, notámos que tudo parece extinguir-se em Cadafaz, já não é só a sua comunidade como benefícios anteriormente adquiridos pela – Junta de Paróquia, Junta de Freguesia, Liga de Melhoramentos da Freguesia de Cadafaz e União Recreativa de Cadafaz, quando deviam ser conservados e até melhorados. Mas, tal não acontece e de momento vão ficando ainda algumas recordações.
Segundo dados históricos do Concelho de Góis, os serviços de correio na vila teriam inicio em 1851, dois dias por semana, entre Góis – Coimbra e a partir de 1867, diariamente. Certamente que as restantes freguesias do Concelho, rapidamente iriam procurar beneficiar desses serviços.
No caso da freguesia do Cadafaz, e segundo dados dignos de créditos, no ano de 1892, a povoação da Candosa (Cadafaz) pediu, à então entidade da freguesia, Junta de Paróquia, que lhe fosse colocada uma caixa de correio e o respectivo giro do carteiro. Também em 1893 a povoação das Mestras, fazia o mesmo pedido. O que em breve foi solucionado. No entanto, a primeira arrematação para transporte de malas do correio entre – Góis-Cadafaz-Colmeal só se efectuou em 24-6-1916 por Guilherme Simões Vicente e José Simões Paulo. Pelo que, não obtive dados como seria feito o transporte anteriormente a esta data. Alguns anos mais tarde 1941 o Sr. Tenente Afonso Neves, numa das suas intervenções na Liga de Melhoramentos da Freg. de Cadafaz da qual era um ilustre impulsionador, referindo-se ao Posto de Correio de Cadafaz informou: “Este sexagenário serviço havia sido valorizado com mais o registo de valor declarado e encomendas postais e que, para tal, tinha ele e o Sr. Manuel Francisco Martins contribuído com muitas tentativas e trabalho. Já que o telefone tinha sido um benefício recente 1939 (embora já em 1914 a Junta de Paróquia e em 1932 a Junta de Freguesia tivessem feito o pedido). Nessa altura também o Sr. Ten. Afonso Neves pede que seja substituído o Encarregado do Posto de Cadafaz, a pedido do próprio, por motivos de saúde e que já fazia missão há muitos anos.”
-Era o saudoso José Martins (José da Carma) que passados dois anos faleceu.
Passadas algumas décadas também o posto encerrou (julgo que a partir dessa altura começou o giro a partir da estação de Góis). Aqui começou o declínio de um tão valioso serviço à comunidade, sem venda de selos, registos, telefone público e na altura poucos eram os telefones particulares. Mas tudo se foi resolvendo graças ao bom desempenho e simpatia dos nossos Carteiros e à muita compreensão dos residentes. E ao mencionar desempenho, terei de recuar no tempo e referenciar os profissionais do antigo Posto de Cadafaz que deram o seu contributo pessoal sem qualquer renumeração, isto no caso dos Encarregados (dois quais fiz parte em 1950/60) e que além da responsabilidade e da disponibilidade do horário, dia e noite para entendimento de telefone público, envio de telegramas ou receção e procurar mensageiro no caso de ser para entregar fora da povoação, inclusive Colmeal ou Aldeias. Além do restante serviço e atendimento. Também os Carteiros, que durante décadas percorrem todas as povoações da freguesia, cujo trajecto diário era feito a pé, sujeitos ao rigor do tempo e locais de difícil acesso. Porém o zelo e rigor da sua missão aliados à boa comunicação e interpretação das alegrias ou tristezas de cada um fazia deles familiar cuja visita diária era sempre bem-vinda. Mas os nossos estafetas foram decerto os que mais sofreram, só quem conhece o trajecto saberá avaliar, a distância a percorrer e a exigência no cumprimento de horários. Eram obrigados a levantar as malas de Cadafaz e Colmeal em Góis às 9 horas da manhã vinha por Cadafaz e seguindo para o Colmeal de onde saía de madrugada, passava por Cadafaz, seguindo para o Colmeal de onde saía de madrugada, passava por Cadafaz, seguindo para Góis e vice-versa. Mas sempre conseguiram aguentar tão atribulado sacrifício e por uns magros tostões que recebiam.
É pois, por todos os que já partiram, sem medalhas, sem merecimentos ou discursos que eu tentei escrever uma simples memória sobre o Posto de Correio Telégrafo e Telefone de Cadafaz e recordar o nome dos que o privilegiaram com o esforço e dedicação:
Estafetas: José Simões Paulo, Guilherme Simões Vicente, Maria Leontina, Armando. Carteiros: José Maria, Álvaro Martins, Hipólito Neves e outros. Encarregados: José Alves Martins, Carlos Simões Folgosa, José Henriques de Almeida e Casimiro Gaspar da Cruz.
Recordá-los-ei com respeito e saudade, porque ainda “estou deste lado”. Mas, triste, ao verificar que a simplificação moderna é isenta de respeito e conhecimento humano, ao extinguir benefícios antes adquiridos.
Neste caso, mais recente, a CAIXA DO CORREIO DA SEDE DE FREGUESIA, EM CADAFAZ  e que ainda era utilizada.
Cadafaz, julho de 2011
in O Varzeense de 30 de Julho de 2011

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Folhas Soltas de Cadafaz por A.Silva

A Caixa de Correio em Cadafaz foi retirada em maio. É verdade, sem qualquer informação ou aviso, deparámo-nos com o seu já muito antigo lugar vazio.
Creio ser uma decisão pouco correta e de falta de deferência para uma sede de freguesia e muito especialmente, para com a comunidade, que, tal como em qualquer outra do concelho de Góis, além da redução de residentes, são idosos, sem possibilidade de deslocações e estando grande parte do tempo sem acesso a rede telefónica (avarias constantes) e sem redes móveis. Pior ainda quando verificamos que em povoações ou freguesias com menos residentes que em Cadafaz, tal acção não foi efectuada.
O que nos leva a crer que, quanto mais nos rodearam de postes ou redes inovadoras de alta tecnologia, mais pobres temos ficado.
Tudo tem sido retirado, acabado ou deixado de funcionar. Alguns desses benefícios adquiridos com muito esforço pela colónia Cadafazense.
Será por falta de conhecimento do meio rural isolado onde nos encontramos? Ou porque não vale a pena… escrevem pouco. Tal facto é meramente triste privar toda a comunidade daquilo a que tem direito e nem sequer condiz com o tão badalado apoio ao idoso.
Para mais, a referida caixa de receção de correspondência nem sequer obrigava o Sr. Carteiro a fazer qualquer desvio, visto estar em local acessível – Largo de Stº António – Concluindo, presentemente, se não houver correio para a povoação o Sr. Carteiro não entra na aldeia ou passa por cima em direção à Candosa. Claro que quem tiver correio para enviar (já foi o meu caso) fica a vê-lo seguindo à velocidade do som do outro lado da povoação. Isto numa era de inovações e Cadafaz vai recuar no tempo e recomeçar com os estafetas ou mensageiros a pé… Pois, a caixa do correio mais próximo fica a 5KM e 12Km, se continuar chega-se à estação ou loja dos correios na vila de Góis.
Não há dúvida, foi uma decisão “meritória” que me fez pensar se valeu a pena os encarregados do posto de correio em Cadafaz que (eu fiz parte deles) trabalhamos tantos anos sem qualquer vencimento, servindo a comunidade mas também os respectivos serviços e, hoje deparamo-nos com tal situação. Estarão os serviços a vender as caixas para atenuar a crise?
Deixo o meu desabafo de tristeza à consciência de quem teve tal decisão para Cadafaz, onde os pequenos benefícios são valiosos e também às entidades do concelho e Junta de Freguesia, para que, dentro das suas possibilidades, possam ajudar a rever este assunto, para contento desta comunidade presente e ausente.

Nota: o próximo artigo será sobre o PCTF de Cadafaz, cuja primeira arrematação para transporte das malas do correio foi em 24-06-1916, fez precisamente em junho 95 nos. Mas há mais…
Cadafaz, Julho de 2011
in O Varzeense de 15 de Julho de 2011

terça-feira, 19 de julho de 2011

Folhas Soltas de Cadafaz por A.Silva

Quem foi Ernesto Henriques Nunes e Luís Henriques Nunes

Ernesto Henriques Nunes e Luís Henriques Nunes eram dois conterrâneos de Cadafaz, filhos de Joaquim António Nunes, natural desta povoação, grande industrial de mármores e cantarias em Lisboa, na rua da Mouraria e em Oeiras e, sobretudo um dos grandes impulsionadores da Liga de Melhoramentos da Freguesia de Cadafaz.
Tal como seu pai, também Luís e Ernesto seguiram de alma e coração tudo o que dizia respeito ao regionalismo da sua aldeia e freguesia de Cadafaz, fazendo parte integrante dos seus corpos gerentes desde a sua fundação. Como curiosidade e revelando a sua grande afeição verificamos que a primeira viagem de automóvel a Cadafaz em 1938, foi feita num automóvel conduzido por Ernesto Henriques Nunes. Cuja noticia foi digna de grande realce, regozijo e muito suspense, tal foi o difícil trajecto da Selade do Braçal a Cadafaz.
Nessa época tudo se fazia e conseguia, o fundamental consistia na amizade e compreensão de: “todos por um e um por todos”.
(Agradeço parte dos conhecimentos sobre estes Cadafazenses, ao Sr. Dr. António Santos), Haverá mais?
in O Varzeense de 30 de Junho de 2011

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Folhas Soltas de Cadafaz por A. Silva

Falecimento
Faleceu no dia 15 de Maio, a Srª D. Ermelinda Batista de Almeida, com 97 anos de idade. Era natural de Capelo, mas residente em Cadafaz. É, por vezes, bastante difícil transmitir pessoalmente ou para o papel, o que pretendemos ou sentimos. Mas, creio que todos temos um cantinho onde guardamos as recordações, principalmente as que nos alegram, ensinaram ou ajudaram pessoalmente durante a nossa vida.
É pois nesse cantinho que irei venerar a memória de quem foi a D. Ermelinda, uma autentica Senhora que fez parte da grande casa dos Simões, cuja simpatia, bondade e fino trato eram evidentes. Infelizmente, a idade e os desgostos por muitos dos seus familiares que foram desaparecendo, foi contribuindo para o enfraquecimento das suas forças, embora, o carinho de seus filhos, netos e bisnetos estivesse presente. Mas a sua longa viagem chegou ao fim e assim vimos partir mais uma admirável pessoa desta comunidade.
Apenas nos resta pedir a Deus para que ela esteja em Paz Eterna e para todos os seus queridos familiares e amigos enviamos as nossas sentidas condolências e coragem. Estarei convosco nesta grande saudade.
Cadafaz, Maio de 2011
in O Varzeense de 30 de Maio de 2011

sábado, 4 de junho de 2011

Folhas Soltas de Cadafaz por A.Silva

Merecida homenagem a António Batista de Almeida
Uma muito simples, mas merecida homenagem de reconhecimento ANTÓNIO BATISTA DE ALMEIDA, natural de Fajão-Pampilhosa da Serra e também um grande conterrâneo de Cadafaz, Góis.
“É verdade que para nascer ou morrer, não há hora marcada”. Por tal razão tivemos a presença de António Batista, vindo de Lisboa para assistir ao almoço de 23 de Abril, na Casa de Convívio em Cadafaz e… surpresa, no dia 1 de Maio era o seu funeral em Lisboa. Quando menciono conterrâneo de Cadafaz, é porque além dos laços familiares que o prendiam a esta povoação, também fez parte dos grandes regionalistas desta comunidade, não só como sócio da União Recreativa como também foi Presidente da mesma colectividade de 1972 a 1975. Concretizou algumas obras como por exemplo, o processo da aquisição do antigo edifício escolar para Casa de Recreio, uma das maiores aspirações. O processo foi moroso, além do seu estado de degradação que requereu não só obras de conservação como a aquisição de vasto equipamento (será descrito noutro artigo). Este edifício passou mais tarde para Sala de Reunião da União Recreativa. Também o acesso ao moinho eléctrico e alargamento do Largo do Sº António foram projectos concluídos mais tarde com a J. Freguesia.
Foi também durante a sua presidência que surgiu um grande entusiasmo nos jovens de Cadafaz, criando-se a Secção Juvenil que levou a efeito várias actividades de recreio inclusive, teatro, cinema e aquisição de um terreno para campo de futebol. Infelizmente por razões várias tudo foi acabando. No entanto a presença de António Batista de Almeida em tudo o que se relacionava com benefícios para Cadafaz era certa. Foi também colaborador durante muitos anos dos jornais regionais.
Claro que mais haveria a mencionar ou relembrar o quanto a Colectividade lhe ficou a dever e uma delas foi a ausência da Bandeira da união Recreativa.
Resta-me em nome de todos os Cadafazenses expressar a todos os seus familiares, sentidos pêsames.
QUE DEUS LHE DÊ A PAZ ETERNA.
in O Jornal de Arganil de 19 de Maio de 2011


quinta-feira, 26 de maio de 2011

Folhas Soltas de Cadafaz por A.Silva

Cadafaz acabou… estas foram duas frases que há pouco tempo ouvi, ditas por alguém que não sendo natural ou residente nesta povoação, me pareceu ser conhecedor do passado e presente de Cadafaz.
Confesso, fiquei triste, embora também note isso, mas tento não crer nessa realidade dentro de poucos anos. O facto da diminuição de comunidade é realmente um dos grandes factores – mas isso passa-se em quase todas as aldeias e freguesias e deparamos com algumas ainda mais despovoadas que a nossa.
No entanto verificámos que continuam a ter voz requerendo os seus benefícios num conjunto de amizade e cooperação envolvendo todas as entidades adstritas, colectividades, associações, etc. (Veja-se as noticias nos nossos jornais regionais).
Pelo que também nós não podemos ficar à espera que esta aldeia se transforme numa tebaida. Creio pois que se os nossos jovens meditarem um pouco no futuro e no trabalho dos seus antepassados, em conjunto com os “velhos alicerces” que ainda existem pelo menos em Lisboa, esta povoação vai certamente continuar a resistir. Aliás ela continua a ser uma das grandes privilegiadas pela mãe natureza rica em bens materiais, arboricultura, água e outros proventos essenciais à humanidade. Infelizmente têm sido pouco aproveitados. Também tem esta povoação uma geração de jovens licenciados em várias áreas e isto é sem dúvida muito importante, mas também é necessário a formação e ocupação em outras actividades que deixaram quase de existir, tais como, sapateiros, carpinteiros, electricistas e porque não resineiros e cantoneiros que se dedicavam ao arranjo de pequenos estragos nas estradas ou bermas (deixando talvez de ser tão necessário a vinda de uma equipa e máquinas), felizmente ainda vão resistindo os nossos artificies de alvenaria. Porém, o fundamental para a sobrevivência do ser humano é a agricultura e onde param os nossos mesmo pequenos agricultores? Os idosos foram obrigados a guardar as alfaias e os jovens não sabem ou não lhes é dado incentivos para isso.
Não basta criar subsídios, sem que se verifique, quem, onde e como são empregues. Criaram-se empregos, é certo … como cortadores de ervas daninhas e silvados, passados pouco tempo, ei-las de novo viçosas.
Talvez que esse dispendido em pessoal e máquinas fosse mais aproveitado no cultivo de campos pelo menos nos mais produtivos e com acesso a água.
Parece que o Sr. Secretário de Estado do Desenvolvimento Rural só agora verificou que Portugal tem cerca de 2 milhões de hectares de terra abandonada ou semi abandonada e diz que não pode continuar a ser desperdiçada. Mas de quem será a culpa? Possivelmente, uma parte será dos representantes de grandes ou pequenos centros ou pequenos centros deste país que se tem esquecido de verificar e conhecer o que se passa além do ecrã ou do seu gabinete.
E assim, um pouco por todo o lado, se foi formando um conjunto de desconhecimento ou mera ignorância em quase todos os sectores, com a qual, hoje nos vimos confrontados, como sendo um povo a que designam como sendo “lixo” e a receber repreensões de outros países. Quem diria? Que mais nos reservará o futuro?
Mas, a esperança deverá ser a última coisa a perder e, no que se refere a Cadafaz, vamos confiar na melhor hipótese – o futuro desta povoação está na mão dos jovens. Há pois que ajudá-los e incentivá-los na conservação e progresso da aldeia, tal como fizeram os seus antecessores.

Notícias religiosas
Realizaram-se, no Domingo de Ramos, as cerimónias da bênção de ramos, com procissão e missa: A cerimónia foi bastante participada e contou com a vinda de muitos fiéis da povoação e da freguesia.
No Domingo de Páscoa também houve a celebração de missa e procissão, seguindo-se a Visita Pascal, com muito acompanhamento. Mais uma vez, estamos muito gratos a quem se prontificou a continuar tão digna e antiga tradição.

Almoço de Angariação para as festas anuais
Teve lugar, na Casa de Convívio de Cadafaz, no dia 23 de Abril, um almoço convívio, servido e confeccionado pela “grande família dos Vidais”, visto que, este ano são eles os organizadores dos festejos anuais, a realizar em Agosto. Também é de agradecer a aquém, todos os anos, se vai prontificando para tal responsabilidade e trabalho. Pois, só assim é possível a confraternização com os amigos e familiares, vindo de férias.
in O Varzeense de 15 de Maio de 2011

terça-feira, 3 de maio de 2011

Folhas Soltas de Cadafaz por A.Silva

Retalhos
Em 20/01/1963 foi apresentada, na sede da União Recreativa de Cadafaz, em Lisboa, a sua bandeira.
Para tal aquisição foi nomeada uma Comissão angariadora de fundos da qual fizeram parte as senhoras: Maria da Luz Martins dos Santos, Belmira de Jesus Paulo e Maria Lopes Serra, que se prontificaram a fazer o peditório, embora sabendo o sacrifício que tal missão lhes ia exigir, tais como, subir e descer escadas, percorrer ruas e avenidas, isto porque embora não faltassem, em alguns trajectos os transportes públicos, o dinheiro para os mesmos era insuficiente. Porém, o esforço foi bem sucedido e dos 194 donativos cujas importâncias iam de um escudo a cem escudos, conseguiram o total de 4461$50, pelo que foi feita uma bandeira para a sede de Lisboa e uma cópia para a sede em Cadafaz.
O que me leva a escrever este e outros retalhos é para que não sejam esquecidos ou sacrifícios e muito especialmente as pessoas que de uma maneira  ou de outra tudo faziam da melhor vontade e amizade.
Neste caso de aquisição ainda se encontra entre nós a D. Belmira Jesus Paulo, que recorda e nos conta como foi difícil combater o cansaço e levar a missão ao fim, no entanto, sente-se feliz por ter ajudado nesta e noutras ocasiões (recorde-se o caso dos piqueniques).
Certamente que hoje os nossos jovens progressistas pensam: - Isto só para angariar 22,30.75 euros? É verdade. Outros tempos.
in o Varzeense de 15 de Abril de 2011

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Folhas Soltas de Cadafaz por A.Silva

Quem foi Virgílio Nunes dos Reis?
Era natural da povoação de Cadafaz e foi presidente da Junta de Freguesia de Cadafaz de 1975-1997. Desde muito jovem tomou novos rumos, seguindo para a Guiné, onde constituiu um império, mas sem nunca esquecer a sua aldeia, familiares e amigos. Passados alguns anos decidiu regressar de novo e, eis que mais uma luz volta a brilhar em Cadafaz, devido ao seu grande dinamismo empreendedor e conhecimento industrial. Isto numa altura em que a desertificação na freguesia já era evidente. No entanto tentou dar o seu contributo e esperança à comunidade. E, seguindo algumas das linhas do seu antecessor – Guilherme Simões Alves – continuou a grande “batalha para mais progresso e desenvolvimento em toda a freguesia. Daí as muitas deslocações no seu transporte particular a Góis, Coimbra, Lisboa, etc Note-se que não havia viaturas ao serviço da J. F. para superiores ou funcionários. A verdade é que vários assuntos foram resolvidos e concretizados, como habitualmente alguns com bastantes entraves, só a sua perseverança e conhecimentos pessoais o ajudaram.
Uma das obras, nada fácil, foi a abertura de uma via entre Cadafaz e Candosa para acesso automóvel. Visto ser projectada com inclusão de terrenos de cultivo. Quem é que cedia o seu terreno se nem sequer tinham automóvel? – Mas a obra foi feita e, embora actualmente seja deficiente (estreita) para transportes pesados ainda ninguém fez melhor, pelo menos suprimir algumas curvas. Também a ponte nova, entre Candosa-Colmeal e a Levada de regadio da ribeira do Carvalhal-Candosa, foram obras de grande utilidade para a povoação e não só. Outro grande melhoramento foi a ponte nova entre Tarrastal-Cabreira e acessos a qual veio beneficiar as deslocações à sede do concelho. Também a compra da casa do minério Castelejo, para a qual tinha vários projectos (hoje a degradar-se). A abertura de uma estrada carreteira entre Corterredor e Mestras foi na altura bastante benéfica mas passados cerca de 30(?) anos não foi alcatroada.
No que se refere à povoação de Cadafaz:
- Foi feita a ampliação do Largo de Santo António com colocação de um chafariz.
- Recuperação e ampliação do antigo edifício do Registo Civil e regedor – para serviços administrativos e reuniões da Junta de Freguesia e um gabinete onde foram instalados o Posto Médico,
- Beneficiação com placa e degraus em todos os quelhos e becos da aldeia (onde antigamente se formavam as estrumeiras).
- Fez também a ampliação do cemitério, juntando o novo e o velho e a condução de água para o mesmo.
- Muito mais haveria a enumerar, mas, vou terminar com aquela que seria certamente a sua grande preocupação e expectativa – o inicio das negociações para instalação do primeiro parque para as Torres Eólicas na serra das Malhadinhas, desta freguesia, através do qual se previa algum fundo de manutenção para continuidade das obras que ele tanto ambicionava para a sua aldeia e freguesia.
Era, sem dúvida, devido ao seu grande conhecimento e proficiência a pessoa indicada para tal missão e futuro progresso de Cadafaz. Mas, não faltaram imediatamente, as modernas comissões, organizações etc. e Cadafaz começou a perder a esperança anteriormente adquirida.
Infelizmente, Virgílio Nunes dos Reis pouco mais anos esteve entre nós, e hoje, mais que ontem, verificamos que não só perdemos mais um ser humano, como também um notável cadafazense, ficando a aldeia mais pobre, em progresso e sabedoria. O decorrer dos anos tem-nos dado provas visíveis dessa realidade.
Esperemos que pelo menos sejam preservadas as obras que tão bem concretizou e tanto tem beneficiado toda a freguesia.

in O Varzeense de 30 de Março de 2011

quinta-feira, 24 de março de 2011

Folhas Soltas de Cadafaz por A.Silva

Desde que iniciei os meus artigos, decidi não utilizar a imprensa para casos insignificantes, histórias da carochinha ou adulações imerecidas.
Pelo que, tenho procurado assuntos mais ou menos relevantes e alertar situações menos benéficas aos residentes e não só, que em pleno séc. XXI ainda se nos deparam com alguma assiduidade, e que nem sequer dignificam os responsáveis desta comunidade (algumas já alertadas pessoalmente).  
Tento também que sejam memorizadas figuras que de alguma forma deram o seu contributo em prol desta povoação e dos que ainda resistentes, mas que por razões várias não podem ajudar ou não lhes convém ter voz activa, mas compreende-se…
Também tenho procurado dados históricos diversos e valiosos graças, aos que meritoriamente tem dedicado a vida à investigação do passado.
Claro que, nem todos os Cadafazenses são fãs dos meus temas e por tal razão hoje para finalizar recorri à Musa Inspiradora:

Sobre um artigo difuso,
Pleno de galimatias.
Apenas foi relevado,
Com tantas senhorias.

Até as pedras choraram,
Com tanta lealdade,
Alertaram-se os feitos
Repletos de vaidade.

No segredo dos Deuses
Tudo estava guardado.
Surgiram as opiniões,
Ficou tudo arreliado.

Falta de comunicações!
Só pode ser engano.
Após tanto esforço,
Feito durante todo o ano.

Rede móvel Internet,
Há quanto prometidos.
Para quê em Cadafaz…
Os senhores estão servidos.

Se faltam as verbas,
Causa admiração…
Será que este feito,
Não dá inauguração.

Mas só sabem criticar,
E nada mais fazer.
Verbal definição
De quem cala p’ra comer.

Com esta motividade,
Hoje o que nos resta…
Uma grande saudade,
E tudo o que não presta.

Ter a memória curta…
É decerto uma vantagem.
Um modo de esquecer,
Esta triste passagem.

CADAFAZ antigamente…
A luz eram candeias.
Hoje faz sinais de fumo,
A comunicar com as aldeias…

Cadafaz, Março de 2011
in O Varzeense de 15 de Março de 2011