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segunda-feira, 29 de abril de 2013

Notícia de outrora

CADAFAZ
Esteve nesta povoação o Sr. António Afonso d'Almeida, chefe de conservação da estrada distrital n.°52, acompanhado pelo cabo de cantoneiros, José Antunes, que veio tirar a planta onde se deve abrir a vala para a canalização da agua para o chafariz que se projeta fazer junto ao adro da igreja desta freguesia.
É um belo melhoramento tanto para esta povoação com o para toda a freguesia, visto que aos domingos poderão saborear a boa e fresca agua dos Portos.
— Como se sabe, foi há tempos aqui criada uma escola para o sexo feminino, sendo a casa oferecida, por um ano, pelo Sr. José Francisco Simões.
Foi uma medida bem acertada com que o Governo da República dotou esta freguesia, pois que era a única, no concelho de Goes, que não possuía escola para o sexo feminino, apesar de ser uma das mais populosas.
A fim de se arranjar mobília para a escola, foi aberta uma subscrição entre os habitantes desta freguesia, que atingiu uma quantia regular, devido á sua generosidade, pois que todos desejam elevar a sua freguesia ao    grau de civilização que tem jus.
Já se mandou confecionar a mobília e m Arganil, que deve estar pronta em breve.
— Fizeram-se já alguns orçamentos para se reconstruirem a ponte do Mosqueiro, entre Sandinha e Capelo, e a fonte do lugar da Cabreira.
Espera-se que em breve a digna vereação municipal deste concelho mande proceder a estas obras.
— Consta que brevemente se vá criar nesta povoação uma estação telefónica.
— Acha-se bastante doente o Sr. António Simões Félix, da Sandinha, devido a uma queda que deu no domingo da sua mula, batendo com a face esquerda num balcão. Sentimos e fazemos votos pelas suas melhoras.

in A Comarca de Arganil de 13 de Julho de 1911

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Notícia de outrora

GOES, 22
Pensa-se em estabelecer estações telefónicas em Cadafaz e Colmeal, que ligadas à estação telegráfica desta vila, possam servir os interesses dos povos daquelas freguesias com a solicitude que tal sistema permite e que hoje se não dispensa já a não serem regiões onde civilização não penetrou ainda.
Para o bom êxito deste melhoramento será preciso, porem, que os povos ofereçam ao estado, pelo menos, a madeira a empregar nestas, linhas e que, segundo os melhores cálculos, não deve ir além de 180 postes de castanho daqui a Colmeal. De modo que a troco de um pequeno sacrifício as duas citadas freguesias, onde a madeira de castanho abunda ainda, felizmente ficariam de posse de um grande melhoramento cujos serviços apreciariam devidamente se pudessem chegar a fazer o confronto do que era antigamente e o que é hoje:
Antigamente: Vir a Goes, perdendo todo um dia para expedir um telegrama sobre a conclusão de um negócio cuja escritura era preciso lavrar-se imediatamente; ou sobre a marcha da doença que punha ás portas da morte, em um hospital de Lisboa um filho, um irmão ou um parente estremecido.
Hoje: do bom desejo das autoridades da República em servir os povos que, como os nossos de sempre tão ingratamente esquecidos, conjugado com um pequeno dispêndio de nós todos resultou a criação do telefone nas nossa terra e, agora, adeus grandes demoras, grandes transtornos e tantos dias perdidos em Góis á espera de almejadas respostas.
Ponham os povos de Cadafaz e Colmeal os olhos no carinho que os de Alvares tributam ao seu telefone. Agora que eles apreciam devidamente os benefícios que ele lhes presta e dão por excelentemente empregado o muito trabalho que generosamente prestaram ao Estado.

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C A D A F A Z
É difícil entre estes vales e oiteiros arranjarem-se noticia que mereçam ser publicadas em jornais. Fui passear pelo soalheiro cá da terra para angariar algumas novidades, mas foram infrutíferos meus esforços, porque por onde passei só se cuidava na vida particular de cada um. É que esta gente com quem vivo só cuida no trabalho honesto e honrado e não em bisbilhotices. O que eu sei todos o sabem e por isso não são novidades.
- Os batatais e os milharais vão por aqui muito bem principiados. A água para os regar é que vai a ser pouca.
- Os castanheiros, aqueles que ainda não foram atacados pela filoxera, já se vestiram com os seus raminhos e algumas oliveiras estão muito carregadas de flor. Se escarumarem bem devemos ter este ano uma colheita igual á do ano findo.

in A comarca de Arganil de 23 de Maio de 1912

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Notícia de outrora


Cadafaz, 12.— Num dia deste do Carnaval, entre o Magro e o Gordo, deviam ser umas 20 horas, pouco mais ou menos, ouvimos sinal de alarme. Perguntamos o que havia e disseram- nos que era para se juntarem afim de correr o Entrudo aos da Sandinha. Efetivamente, momentos depois apareceu o homem da pandeireta, os homens das latas, os dos chocalhos e o homem no funil. Ao comando do dirigente lá se  põem todos em marcha para os lados da Sandinha, parando no sitio denominado a Valeira, em frente da mesma povoação. Pouco depois ouvimos dois estoiros. — Pum!... Pum... 
E logo em seguida o barulho da pandeireta, das latas, dos chocalhos a vozeira do que assoprava no funil. Acenderam as luzes e ao som da música lá voltou aquela gente satisfeitíssima, dizendo: «—Cá vai a velha! Cá vem ela!. . . Cá vem ela!. . . » E sabem porque os nossos vizinhos foram a tal hora correr o entrudo? Porque souberam que a rapaziada da Sandinha estava dormindo a bom dormir, fatigadíssima de tocarem, cantarem e dançarem durante dois dias e uma noite, sem cessar. Dormiam tanto, que nem sequer deram pelo barulho. E foi o que valeu, cá aos nossos amiguinhos, porque se despertam, bebiam mais aguardente com mel e vinham-lhes pedir contas. Assim, ficou reservado para o ano seguinte.
—No dia 7 do corrente realizou o seu casamento o sr. António d'Almeida com a sr.ª Guilhermina Martins, ambos deste logar. Foram padrinhos: por parte do noivo, seu irmão o sr. José Maria; e por parte da noiva, a sua irmã, a sr.ª Angelina Martins dos Santos.  Desejamos-lhes felicidades.
—Tem estado doente em Coimbra o sr. Luiz Domingos Alves Baeta do Corterredor. Que breve se restabeleça, são os nossos desejos.
in a Comarca de Arganil de 15 de fevereiro de 1923

sábado, 21 de julho de 2012

Recordar o passado: Cadafaz em 1904

CADAFAZ
II
Esta povoação tem 100 fogos, aproximadamente, mas, vista de fora, parece ter muito mais porque muitas casas são desabitadas.
Apresenta um aspeto triste, pois tem só uma rua que se pode classificar de razoável. As casas são baixas e quase todas cobertas de loisas, o que não admira porque os seus habitantes dizem: — fazenda que não saibas e casa onde só caibas.
Em compensação, exporta em grande quantidade milho, azeite, mel, castanhas e vinho.
A instrução também ainda se acha bastante atrasada. Basta dizer que tem uma única escola para o sexo masculino. A qual, em face da atual lei de instrução primaria, só aproveita as crianças da própria localidade. Todavia, talvez por estar próximo da sede do concelho, já se nota nesta freguesia alguma civilização, e um certo cuidado de se tratar bem de qualquer negócio público. Por exemplo, a junta de paroquia funciona muito regularmente, o que não é vulgar encontrar-se em qualquer aldeia reunindo nos domingos marcados para as sessões sem ser preciso andar a chamar os seus membros ou levar-lhe os livros a casa para assinarem de cruz, e tratando dos interesses da paroquia exatamente como cada um trata dos seus, pelo que a igreja se acha dotada de todas as alfaias necessárias ao culto, e algumas de bastante valor avultado entre estas, as que foram oferecidas pelo Barão de Loredo, natural de Corterredor, povoação desta freguesia, tais como: um soberbo lustre de cristal, uma grande lâmpada prateada e um órgão. Pena é que estes e deixe estragar pela faIta de uso. Mas infelizmente não há dentro desta freguesia quem lhe saiba por mão.
A este cavalheiro que no Brasil adquiriu uma fortuna fabulosa, muito deve esta freguesia e algumas vizinhas, pois que se não fora ele, ainda hoje se achariam privadas de alguns melhoramentos. Assim nesta freguesia mandou construir uma casa de escola que se não é muito boa, a culpa não foi sua, mas sim dos encarregados de dirigir a obra, que presos à rotina de que não vale a pena gastar tempo e dinheiro com a instrução, contentaram se com fazer se uma pequena casa e mal mobilada, e uma ponte de pedra sobre o rio Ceira, próximo da Cabreira.
Em Gois e Pampilhosa mandou levantar fontes.
No ano de 1870 ou próximos, vendeu o Estado uns lagares pertencentes à Confraria do Santíssimo. A freguesia comprou-os em nome de um paroquiano com o fim de o rendimento destas fábricas reverter como até ali, em favor da igreja.
Para ficarem ao abrigo da lei reguladora deste assunto, nomeou-se uma comissão para os administrar.
S. F .
in A Comarca de Arganil de 21 de janeiro de 1904

terça-feira, 5 de junho de 2012

História do Cadafaz

Quando iniciei o blogue, falei da formação do Cadafaz no seu atual local e coloquei fotos onde seria o Cadafaz Velho. Se quiser ver ou rever o post basta carregar no link:


Encontrei no jornal A Comarca de Arganil, datada de 1904 um artigo onde também fala disso. Aqui fica o texto:
Cadafaz
É bem verdade que o ignorante é o que mais fala.
Nós, incluídos no número dos ignorantes, sem dúvida, vamos ainda hoje e continuaremos enquanto o administrador d ' A Comarca estiver disposto a aturar-nos, mimosear os leitores com meia dúzia de asneiras.
Agora, porém, vamos referir-nos ao Cadafaz, a nossa terra natal, de que ninguém se lembra, a não ser no mês de janeiro ou em véspera de eleições. Por isso, nós, humildes, como o nosso berço, tentamos dizer algumas coisas que têm chegado ao nosso conhecimento.
Toda a gente sabe que a freguesia do Cadafaz pertence ao concelho de Gois, e dizem que em épocas remotas esta freguesia com a de Goes e Colmeal, formavam uma só.
0 que, porém, nos parece fora de duvida, é que a povoação do Cadafaz, é bastante antiga teve seu assento numa encosta um pouco abaixo d'onde hoje se acha a atual, denominada Codeçal ou Cadafaz Velho. A esse respeito parece não haver duvida, pois que ainda há poucos anos quando ali se tiveram umas escavações, foram encontradas candeias de barro e outros objetos que nos fazem crer que tal povoação era do tempo dos romanos, se a arqueologia se não zanga connosco.
Diz a tradição que sendo este sítio muito doentio, resolveram os seus habitantes mudar a povoação para um lugar mais alto a fim de ser mais arejada.
Se realmente, na mudança da povoação, predominou esta ideia, não escolheram mal, porque a atual povoação é bem lavada de todos os ventos, sendo por isso, bastante fria.
Desta freguesia que tem por orago Nossa Senhora das Neves, foram donatários os condes Villa Nova de Portimão.
S. F.
in A Comarca de Arganil de 1 de janeiro de 1904

sábado, 28 de abril de 2012

Recordar o passado: Cadafaz em 1902

Inicio hoje, uma nova rubrica que é Recordar o passado, são artigos retirados na maior parte do jornal A Comarca de Arganil, que falam sobre a aldeia do Cadafaz ou a freguesia e que nos dá a conhecer ou relembrar a sua história.
O texto que transcrevo foi escrito por um cadafazense, que foi visitar a sua terra natal, no ano de 1902 e relatou como encontrou o Cadafaz após uns tempos sem lá ir.



CADAFAZ

Como é bonito visitarmos a terra onde pela primeira vez vimos a luz do dia, onde pronunciámos as primeiras palavras! A impressão que se sente ao entrarmos na nossa terra natal, depois de dela estarmos ausentes por algum tempo, só a pode avaliar bem quem a tiver experimentado. Todas as nossas travessuras do tempo de criança nos veem á memória com um aspeto tão risonho e suave, que por alguns instantes jugamos ser sonho aquele nosso sentimento. Na verdade, não é menos do que sonho; porque, depois de passarmos a mão pela fronte como que para despertar, vemos quão deliciosos eram os dias que naquele tempo passávamos e quão espinhosos são os que atualmente atravessamos. Como esta vida e efémera! Que contraste entre os dias de então, os dias de hoje.
Quando criança! . . . Que frase tão linda, que recordação tão saudosa.
Foram estas as primeiras impressões que senti há dias ao visitar a minha querida terra, o meu bom Cadafaz. Há tempo que lá não tinha ido e num curto espaço de tempo, relativamente, notei uma série de transformações: pelo que vejo os meus simpáticos conterrâneos, também vão na corrente da evolução atual. Vi lá diversos prédios feitos de novo e outros reedificados.
Uma freguesia pequenina com é, tem dinheiro para todas as despesas concernentes a negócios de religião. Lá têm muito bem caiada e concertada a igreja matriz.
Passei próximo do cemitério e gostei de ver o estado de conservação deste lugar que na minha humilde opinião merece o respeito de todos. Neste, ao menos, não há perigos dos cães ou outros animais irem profanar as cinzas dos que nos foram caros como acontece em outras freguesias muito maiores e de mais rendimento do que a do meu Cadafaz.
A esforços de dois cavalheiros cujo caracter está bem definido, lá têm um magnífico relógio, cuja aquisição se tornava indispensável. Estes indivíduos deviam gerir sempre os negócios da comissão administradora dos lagares, porque ao menos via-se em que se empregava o rendimento dos mesmos e que não é tao pouco como muita gente imagina. De contrário parece que não se vê nada.
Passeando um pouco pela minha saudosa terra reparava naquelas ruas onde eu costumava brincar tão descansado dos cuidados que hoje me atribulam a existência. Que vida! Comer, brincar, levar duas bofetadas de vez em quando, chorar, passado um instante rir, e já novamente pronto para a brincadeira.
Mas no meio desta agradável sensação, notificam-nos alguns casos que infundem tristeza. Perguntamos por F ... e  F..., e respondem-nos: Esse já morreu! Ficamos então a pensar na dura sorte que nos espera e sentimos mágoa por vermos o nosso destino sobre a terra.
Quando pequeninos, tudo rosas; aos 6 ou 7 anos, escola e puxões de orelhas; quando homens, privações de toda a ordem, até que a foice devastadora venha com a sua força tirânica arrastar mais um mártir à pátria dos justos.
-Não podendo demorar-me tanto quanto desejava ao pé de aqueles que me deram o ser e dos meus bons companheiros doutro tempo, tive de me retirar, trazendo no coração bem gravada a mais saudosa recordação dos poucos instantes que lá estive, e agora nesta masmorra, só me resta a saudade e a esperança de lá voltar novamente.
S. F.

in A Comarca de Arganil de 18 de dezembro de 1902