segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Chanfana à Fernanda

Carne de cabrito ou cabra
Vinho tinto
Alho
Sal
Louro
Vaqueiro
Manada de salsa
Azeite

Deixa-se a carne com todos os ingredientes a tomar gosto de um dia para o outro.
Coloca-se a carne dentro das caçoilas de barro ou em tabuleiros. Quando o forno a lenha estiver bem quente coloca-se a carne e deixa-se ficar até estar apurado.

Nota: a carne de cabrito é mais tenra e coze mais depressa. A carne de cabra torna-se mais gostosa.

Bom apetite!

O forno está pronto

O Fernando (meu irmão) a colocar a carne no forno

domingo, 2 de agosto de 2009

A saia da Tia Albertina

Esta é a segunda história de cadafazenses no tempo do volfrâmio, que foi escrita pelo Sr. Tenente-coronel Américo Alves Martins.

A senhora era do Cadafaz e chamava-se Albertina Henriques. Era conhecida por Albertina do Barbeiro. Isto porque seu pai era realmente barbeiro. Mas “barbeiro”, que além de cabelos e barbas que escanhoava os homens da freguesia, tinha adjacente a função de curandeiro.
Era o típico dos tempos idos. Na sacola, juntamente com o sabão e o pincel, ia a mezinha para aplicar ao padecente que surgisse.
A Ti Albertina era uma mulher alta, forte. Uma solteirona que a rija têmpera da serra moldara. Usava saia comprida como mandava as “regras volframistas”.
Atravessava ela, nervosamente, a Ponte – Cabreira, rumo ao Cadafaz, quando foi interceptada por uma diligente patrulha da G.N.R., que ali actuava por conta dos senhores ditos donos dos registos (alvará) daquela área.
- O que a senhora leva aí por baixo da saia volfrâmio escondido?
- Eu, senhores guardas? Afirmar isso é um disparate!
- Sim senhora, nós bem vimos estar a escondê-lo aí.
- Mas, oh senhores guardas, como pode ser isso, se eu nem calças trago? Querem ver?
Perante esta interrogação, significativa de um descontrolo comprometedor, os guardas lá a levaram para dentro do lagar, onde “apalpadeiras”, apressadamente contratadas, a revistaram. E, realmente, no bolso da saia (bolso que normalmente as mulheres cosiam na parte interior das saias, para candongarem as melhores pedras de volfrâmio) lá estava uma certa quantidade deste minério.
Como resultante, a pobre senhora (há muito falecida) ficou, em princípio, proibida de por ali voltar a trabalhar; mas a solicitação de pessoas amigas, foi autorizada a continuar a título muito excepcional.

- Nogueira Ramos, João, «O palco da vida, Acto 11 (três pequenas histórias)» in Góis, tempo de volfrâmio, Entre Memória e História, 1ª edição – Junho de 2007, pp 126-127.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

A procissão

Durante vários anos, levei o andor da Nossa Senhora da Guia, na procissão que se faz pela festa. Nessa altura, todos os Santos que estão na Igreja saem num andor, alguns são bem pesados e o trajecto ainda é comprido. A procissão sai da Igreja, sobe a rua que passa na Torre do Relógio e desce até à Volta-do-Carro, aí vira à esquerda para a rua que segue para o Adro e continua até ao Largo de Santo António, voltando para trás até à Igreja. Na maior parte dos anos havia sempre uma banda filarmónica a acompanhar.

Andor de Nª Srª da Guia, Procissão de 1988

Em primeiro plano da esquerda para a direita: Eu e a Regina Alves
Na parte de traz: Geni (minha irmã) e mais atrás Sr. Silvino Neves

terça-feira, 28 de julho de 2009

Festas do Cadafaz, 7, 8, 9 e 10 de Agosto de 2009

Este ano, as festas em honra de Nossa Senhora das Neves, em Cadafaz, vão decorrer nos dias 7, 8, 9 e 10 de Agosto, o programa das festas é o seguinte:

(clique para ampliar)

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Festa ao regionalismo em Cadafaz

Coloco aqui o programa, da festa de homenagem e gratidão ao regionalismo da freguesia do Cadafaz, que se irá realizar dia 2 de Agosto (basta carregar na imagem para ampliar):

Os anjinhos

Mais uma foto muito engraçada, que me foi enviada pela Cila, como ela diz eram uns LINDOS ANJINHOS, pela festa era costume vestirem os meninos desta maneira, apreciem:
Foto de Cila Nunes

Em cima da esquerda para a direita temos: Conceição Gomes, Leonor, Elvira.
Fila mais abaixo da esquerda para a direita: Deolinda Neves, Cila Nunes; Olinda Tomás (minha prima), Amélia Lopes (da Ti Etelvina).
Em baixo da esquerda para a direita: Casimiro Vicente e Amílcar.

Folhas Soltas de Cadafaz por A.Silva

Tenho lido alguns artigos onde encontro mencionado o nome de Manoel Baeta Afonso Neves, natural da povoação de Corterredor desta freguesia, Comendador de uma das Ordens Portuguesas e depois Barão de Louredo no Brasil onde faleceu. Foi este homem ilustre, um grande benemérito não só da freguesia onde nasceu como da sede do concelho Góis e Vila da Pampilhosa da Serra, soube reconhecer as dificuldades existentes nas aldeias nessa época pelo que mandou executar várias obras, além de grandes contribuições monetárias para outras. No entanto verifica-se que muito pouco tem sido o reconhecimento. Nada se encontra na sede de freguesia em Cadafaz que o recorde e na sua Aldeia apenas uma pequena placa, o que parece um pouco insignificante para pessoa de tanto valor. Também na vila de Góis ainda não encontrei algo de reconhecimento. Julgo pois que embora tardia, a colocação de um busto pelo menos na povoação onde nasceu seria bem merecida.
Aliás decerto ainda terá ramos familiares na mesma que saberão descrever e salientar a sua grande generosidade. Mas a minha surpresa foi maior quando há pouco tempo deparei com duas placas com o seu nome (título) no centro histórico da vila de Pampilhosa da Serra em cujo Largo se encontra um Fontenário muito bem conservado com a seguinte descrição: oferecido ao Município por Manuel Lourenço Baeta Neves – 1863 Pampilhosa da Serra.
Fiquei sensibilizada ao notar o reconhecimento deste Concelho a quem o beneficiou. Oxalá outros lhe sigam o exemplo.
Pelo que tenho conhecimento estas são algumas das suas obras ou ajudas:
Em Cadafaz, a Ponte de ligação entre Cadafaz e Cabreira uma autentica obra de arte alvenaria em pedra, cuja legenda gravada na pedra ainda se pode ler: Manoel Lourenço Baeta das Neves, filho, legítimo de Joaquim Baeta Neves e de Maria Affonso Manoel do Corterredor, mandou fazer esta ponte em 1856/1857, para cómodo dos povos”. Duas pontes em Corterredor também em pedra. Donativos para restauro das capelas de Nossa Srª da Conceição em Corterredor e Santa luzia nas Relvas. Oferta de Lustres, Orgão e grande donativo para obras de reconstrução na igreja de Cadafaz, inclusivamente do relógio de pesos que se encontra na torre em Cadafaz vindo do Corterredor (seg. art. de L.N.Rosa). Construção de uma capela em Alvém e dedicada a Nª Srª do Amparo em 1864, (parece que já se encontra outra no cimo da aldeia inaug. Em 1937). Também a Igreja Matriz de Góis foi beneficiada com donativos para restauro da mesma e oferta de lustre (neste caso pediu para que lhe fossem gravadas as suas iniciais B.N. por cima do púlpito, ao mesmo se deve a construção do Chafariz existente no Largo de Pombal, onde teria havido um muito antigo e majestoso.
Mas a povoação de Cadafaz também deve outros reconhecimentos como por exemplo, a José Domingos A. Baeta, a quem se deve a construção da antiga escola primária cuja data e iniciais se observam na verga da porta em ferro forjado J.D.A.B. 1922 – sendo hoje este imóvel pertença da União Recreativa de Cadafaz, além desta obra contribuiu com donativo para o Posto médico da Cabreira desta freguesia e de respectivo material cirúrgico.
Como se pode verificar o tempo passou e as obras embora desactivadas ficaram a perpetuar a memória de quem tão gentilmente as ofereceu e ajudou.
Claro que era decerto um trabalho muito moroso a descrição de muitos mais que de uma maneira ou de outra fizeram algo por estas povoações, no entanto seria um trabalho muito significativo e nunca seria tempo perdido, saber quem e como se fez. Haverá quem possa dar algumas informações?

NOTÍCIAS DO QUOTIDIANO EM CADAFAZ - Celebrou-se nesta Povoação, como habitualmente, a festa do Corpo de Deus com missa e procissão onde não faltou a organização de algumas senhoras nas execução da passadeira, com flores e verdura. Estava linda.
Também dia 14 de Junho a missa em louvor de Stº António teve lugar na sua capela, em seguida o renhido leilão como é habitual. Mais uma vez recordo o restauro das gravuras do tecto e do retábulo em talha, que vão ficando cada vez mais degradados.
Por último a Junta de Freguesia está a proceder a uma bem executada limpeza em redor da povoação; é pena que seja um serviço inconclusivo porque as ervas parecem renascer mais fortes. Mas, é sinal de vida da Natureza.
in Jornal de Arganil, de 23 de Julho de 2009

sábado, 25 de julho de 2009

Histórias de cadafazenses no tempo do volfrâmio

Ao ler o livro Góis, tempo de Volfrâmio, entre Memória e História, encontrei 3 histórias sobre cadafazenses, que foram escritas pelo Sr. Tenente-coronel Américo Alves Martins.
A primeira história que vou transcrever hoje começa por falar sobre a minha Tia Teresa, que era tia da minha avó materna e que a criou, porque quando a minha bisavó morreu, a minha avó tinha poucos anos de vida. Era também tia do primo Américo (como sempre o chamamos na minha família) visto a minha avó ser prima direita do Ti Zé Tereso, pai dele.
Nos próximos dois fins-de-semana colocarei as outras histórias.


Acto 11
(três pequenas histórias)
A peça termina com a leitura de três trechos, escritos* por um grande amigo nosso, da galeria dos cronistas do nosso concelho, onde se incluem Augusto Nogueira (Gustavo), Armando Gualter Nogueira (O Velho Goeinse,) Aristides Lopes, Lopes Machado. Com uma escrita fluida e agradável, respeitado por todos, nunca querendo pôr-se em bicos dos pés, não abordando temas que não conhecesse ou não estudasse, soube tratar com elegância os problemas da nossa terra. Em jovem, também ele andou pelo minério, lá para os lados da sua aldeia.
Sua graça, Tenente-coronel Américo Alves Martins.

* Publicados no Jornal de Arganil, de 9 e 16 de Maio de 1985, na série “O Concelho de Góis e o seu sub-solo. Que futuro?”

A GNR e os comunistas à solta

Era Domingo e a minha tia Maria Teresa chegava ao Cadafaz, vinda de Góis, onde fora, como era rosário da sua vida penosa, buscar a bacia das sardinhas para vender à sua fraca e pobre freguesia. Mas trazia, alvoraçada, a notícia.
- Na Ponte Cabreira, anda lá muita gente no rio. Dizem que aparecem lá muitas pedras de volfrâmio e de ouro.
Era, na verdade, notícia, em primeira mão, no Cadafaz. Como consequência, lá fui eu mais ela, de repente, a caminho da Ponte – Cabreira. Um sacho e uma bacia, era o material “necessário”. O sacho para escavar os fundos e encher de areia, lama, cascalho e pedras, a bacia. Esta para a lavagem e apuramento do minério.
Realmente, ali chegados, deparou-se-nos espectáculo grandioso. O leite do rio, desde o açude até ao poço que fica por debaixo da ponte, era um enxame de gente.
Avançámos, um pouco temerosos. Éramos os primeiros “invasores” idos de Cadafaz. Mas a entrada foi triunfal. A minha tia, já um pouco pesada e pouco segura, em pleno rio, desequilibra-se e estende-se ao comprido para dentro das águas. Gargalhadas estrondosas atroaram pela penedia da encosta.
Depois, tudo passou e o remexer do leito do rio, em exploração afincada e constante, iria prolongar-se pelo tempo além.
Intitulava-se dono do registo (alvará?) daquela área (não sou eu que ponho em dúvida a legalidade dessa posição, mas o facto é que paira ainda hoje uma certa incerteza por parte de algumas pessoas), um grupo de senhores que o respeito pela sua memória me inibe de citar. Para que não houvesse fuga de minério para a candonga, que era forte e constante, foi por eles foi contratada a presença da G.N.R., que ali permanecia em diligência. O “escritório” dessa empresa exploradora foi montado no lagar que ali existe. É chamado o Lagar do Povo, pertence à Igreja e ainda hoje funciona bem (não é Zé da Rita?).
Hoje poder-se-ia perguntar, à distância de tanto tempo, quem autorizou e que proventos se retiraram da “ocupação” do lagar para serventia daquela sociedade mineira? Mas a grande verdade é que o leito do rio fornecia volfrâmio em grandes quantidades e ouro (a olho nu) em quantidades menores.
Ora, em certo dia, apareceu uma pedra com elevado peso de ouro. Maciça, bonita. Um tesouro. Esta descoberta deu origem a um facto que “feriu” e “marcou” algumas pessoas, felizmente ainda hoje delas poderão reviver a triste recordação do evento. Relembremo-lo: os senhores ditos donos do registo exigiam que essa pedra lhes fosse prontamente entregue. A tal pretensão reagiu o grupo achador que se sentiu no direito de a negociar como devia ser e colher assim os dividendos do valor excepcional daquela pedra.
Os ânimos aqueceram. Toda aquela multidão se mostrou activa.
Esta situação foi um embrião para acontecimentos graves, que, dias depois, atingiram o seu apogeu. Isto porque toda aquela gente se foi convencendo de que a “sociedade”, que se dizia senhora do leite do rio, não teria base legal não só para se tornar credível, como ainda, e principalmente, para impor exigências julgadas excessivas e injustificáveis.
Com consequência, ressurgiu a decisão de não se lhe entregar (ou vender) mais minério. Criou-se, desta forma, um contencioso gravíssimo, para cuja solução aquela “sociedade” recorreu ao poder das armas, consubstanciado numa numerosa força da G.N.R., chamada de urgência, sob o comando de um oficial, que ali apareceu em aparato bélico, que logo aterrorizou toda a gente.
As forças foram dispostas nos pontos estratégicos da zona circundante e cortados todos os caminhos e entradas que dali irradiavam. Foi dada ordem de prisão aos que foram logo ali considerados como cabecilhas, do que também foi considerado uma rebelião, os quais, logo apodados de comunistas, prontamente foram levados para a Cabreira e daqui para Góis, sendo escoltados pelas espingardas da G.N.R.
Em Góis, estes “comunistas” foram sujeitos às mais terríveis pressões e a atmosfera que reinava era verdadeiramente escaldante.
Ao fim de algumas horas angustiantes, chegou de Lisboa, pela voz de Guilherme de Almeida, funcionário da então Assembleia Nacional e da Presidência do Conselho, a directiva a tomar. Esta foi devidamente dialogada com o presidente da Câmara Municipal de Góis, Engº Álvaro Dias Nogueira, acabando por ser encontrado o maior e melhor consenso. Só depois eles conseguiram regressar às suas casas, onde a família inteira e a população em geral os aguardava com ansiedade e recebeu com todo o carinho.

- Nogueira Ramos, João, «O palco da vida, Acto 11 (três pequenas histórias)» in Góis, tempo de volfrâmio, Entre Memória e História, 1ª edição – Junho de 2007, pp 124-126.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Os animais

Hoje no Cadafaz, já só existe um rebanho de cabras, mas noutros tempos todos tinham um rebanho de cabras ou de ovelhas. Das cabras tirava-se o leite para fazer queijo, das ovelhas era a lã.
A minha mãe conta, que a minha avó, quando nascia uma cordeira, lhe dava uma para quando fosse a altura da tosquia ela comprar o que quisesse com o dinheiro da lã. Com esse dinheiro a minha mãe costumava comprar tecido para mandar fazer um vestido.
Também havia quem tivesse bois, nessa altura ainda eram várias pessoas, tais como o Ti João, o Ti Manel Sequeira, Os Moreiras, os pais da Ti Zulmira do Jorge, os Simões e o Ti Zé Jaquim.O Ti Casimiro Gaspar, também tinha um cavalo.

Foto de uma carroça de bois, se não me engano pertencia ao Ti João.

O meu irmão com um amigo francês, na Volta-do-Carro, em Agosto de 1979

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Fotos já colocadas

Coloco novamente estas 2 fotos. A primeira porque está em melhor estado daquela que já tinha colocado, a seguna porque não ampliava.
Foto de Cila Nunes, tirada no Jardim da Capela de Santo António, em Junho de 1964


Esta segunda foto, já foi colocada em 19 de Junho, mas como ela não ampliava ao carregar nela, eu achava que ela merecia ser destacada, porque os da minha idade e os mais novos, não se lembram ou não conheceram o Cadafaz dessa altura.

Foto de Virgílio Lopes, tirada da Boiça em Abril de 1971