Mostrar mensagens com a etiqueta Recordar o passado. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Recordar o passado. Mostrar todas as mensagens

sábado, 21 de maio de 2016

Cartaz da atuação do primeiro Rancho Folclórico da Freguesia do Cadafaz

O Mário Neves enviou-me o cartaz da atuação que o Rancho fez em 1939 numa festa no Castelo em Góis:



A foto que publiquei aqui parece que foi tirada nesse dia, As pessoas que estão em primeiro plano são as seguintes: à esquerda o senhor de costas e com a mão levantada: Tenente Afonso Neves do Tarrastal, do lado direito o senhor com o chapéu, José das Neves ou José Simões Alves (José da Carmo). O primeiro par: Elvira dos Anjos Brás e Júlio Henriques.



domingo, 8 de maio de 2016

Foto do primeiro Rancho do Cadafaz

A foto é muito antiga, talvez poderemos dizer que é uma preciosidade, porque é do Rancho Folclórico do Cadafaz que foi fundado no dia 4 de Outubro de 1937 e talvez tenha sida tirada nessa altura. Penso que a primeira saída e atuação tenha sido numa festa em Góis.

Foto de Cila Nunes



sábado, 6 de junho de 2015

Notícia de outrora

O texto relata a ida do primeiro automóvel ao Cadafaz, que aconteceu em 1938.
Foi um dia marcante, de delírio e festa para as gentes do Cadafaz dessa altura.
Leiam com atenção a epopeia que viveram nessa altura, de certeza que irão gostar.


UMA VIAGEM ARRISCADA


Ida e volta ao Cadafaz, de automóvel, por terras nunca dantes "navegadas",… - O relatório da jornada - que foi feita sem seguro de vida!



Lisboa, 28 – Desde que haja estradas em condições, um automóvel vai a todo o lado. Basta para isso que tenha rodas para andar, gasolina no motor, óleo que o lubrifique e, ao volante, um motorista que perceba da arte sem atropelar o próximo. O pior é que nem sempre há estradas em condições.
Por vezes, até, as estradas não passam de estreitas veredas por onde as pobres povoações rurais têm de canalizar o seu tráfego. É triste, mas é assim mesmo. Todavia, a perseverança das povoações que querem uma estrada, a comparticipação do Estado e o dinheirinho apurado em subscrições - vão resolvendo lentamente problema. A rede de estradas aumenta e os queixumes, embora por forma morosa, vão amortecendo...
 Um dos concelhos mais queixosos, é o de Góis. Faltam-lhe muitas estradas. A freguesia do Colmeal que o diga - e nós também, sempre recordando as duas caminhadas que fizemos: Rolão -Colmeal e Colmeal – Celavisa, Alvares igualmente carece de vias de comunicação e Cadafaz...
A propósito de Cadafaz...
Por "A Comarca de Arganil", de sexta-feira passada, ontem chegada a esta cidade, tomámos conhecimento da ida a essa povoação, sede de freguesia, de um automóvel. Proeza digna de registo, visto Cadafaz não ter ainda a "sua” estrada, espevitou em nós a curiosidade jornalística, fazendo-nos lembrar aquelas perigosas travessias por caminhos nunca dantes "navegados" que deram brado em toda a região arganilense e que conferiram ao Romão Jorge - um belo rapaz que estaria hoje milionário se o infatigável Ford o tivesse encontrado na sua vida - o título de Herói das Serras.
E para saber como a ida ao Cadafaz se tinha realizado, em notas mais completas a adicionar ao relato do solicito correspondente de “A Comarca de Arganil" naquela povoação, telefonámos para a Faculdade de Ciências em demanda do Cláudio dos Santos, amigo velho - ele não gosta que lhe chamem velho... - que preside à Liga de Melhoramentos da Freguesia do Cadafaz, e que se pode orgulhar de pertencer ao número das primeiras pessoas que descobriram o Cadafaz... de automóvel.
 Um "ultimatum", pois não queríamos perder a oportunidade. Cláudio dos Santos estaria no Rossio, no mais "gelado de todos os cafés, às 18 horas.
Assim foi. O velho amigo - velho... velho... é como que diz! - não faltou. E na sua companhia trouxe outro cadafazense dedicado à sua terra o também amigo sr. Manuel Martins dos Santos. Cerveja, tremoços, amendoins e a conversação inicia-se.
– Sempre é certo ter ido ao Cadafaz de automóvel numa excursão?
– Excursão, não. Tratou-se de simples passeio, motivado pela justa homenagem, em Góis, ao sr. dr. Rui Ramos. Depois é que fomos ao Cadafaz, de automóvel mas passeando...
 – Quem foi que se deslocou até lá?
 –  Manuel Martins dos Santos e Ernesto Henriques Nunes e respectivas esposas, D. Angelina Martins dos Santos e D. Maria Antónia Henriques Nunes, a pequenina Maria Alice e eu.
Ao todo seis pessoas...
– Como nasceu essa ideia?
Cláudio dos Santos, enquanto faculta a fotografia - do automóvel junto à capelinha de Santo António, em pleno Cadafaz, que acompanha estas considerações – diz-nos:
Ao último almoço da Liga assistiu, como aliás tem sempre acontecido, o amigo Manuel Braz das Neves, que embora não seja da região, é um grande amigo dos cadafazenses. Possui um carro de 7 lugares que sabe guiar com muita perícia. À saída do restaurante onde o almoço se efectuou, o Manuel Martins dos Santos, aqui presente, fez a apologia de um vinhinho precioso nectar, que tem no Cadafaz, no seu "cartôlo". Logo se ofereceram vários "beneméritos" para o ir provar tão depressa se oferecesse o ensejo. E para remate da descrição, ficou mais ou menos assente que fosse o Braz, com o seu carro, quem conduzisse os sequiosos ao enaltecido "cartôlo”... Mudou-se de conversa e o assunto ficou de remissa para ser apreciado oportunamente.
Manuel Martins dos Santos confirma, Cláudio refresca a guela e nós tasquinhamos um tremoço. Para diante...
– Há poucas semanas ventilou-se a necessidade de alguém da Direcção da Liga, ir ao Cadafaz tratar de assuntos de interesse para a freguesia. Martins dos Santos voltou a recordar o "cartôlo", fazendo ver que não receava o assalto... E a esposa deste amigo teve até esta observação bem a propósito: “Se vocês fossem amigos da terra como dizem e teem provado, mandavam arranjar a "estrada" da serra e iam até ao Cadafaz de... automóvel”. Estas palavras tiveram o condão de provocar entusiasmo. Passados dias seguia uma carta para um amigo residente no Cadafaz, pedindo-lhe para ele mandar reparar tanto quanto possível, a "estrada"...
 – Foi boa a viagem?
– Não tenha pressa... Tendo adoecido o Manuel Braz das Neves, com uma dór ciática, não foi possível ele sair de Lisboa. Teve de ficar, deveras pezaroso, na capital. Fomos, então, no carro do Ernesto Henriques Nunes, atendendo a que não podíamos adiar a viagem por causa - repito - da justíssima homenagem ao sr. dr. Rui Ramos. Isso motivou a retenção, em Lisboa, de várias pessoas que teriam seguido se fôssem dois carros em vez de um...
“A viagem foi esplêndida, apesar de ter começado mal. Gastámos três horas até Vila Franca de Xira, devido a "panne” que tivemos de remediar na estrada. Mas depois, é que foi “dar-lhe”! de Vila Franca a Góis gastámos apenas cinco horas e um quarto. O carro parecia um avião... sem asas!
– Chegaram atrasados ao jantar em homenagem ao actual presidente da câmara municipal da Figueira da Foz?
– Um pouco fora da hora marcada. Mas os assistentes, uns 60, de diversas categorias sociais, sacrificando um pouco o apetite, aguardaram a nossa chegada, gentileza que à Liga de Melhoramentos da Freguesia do Cadafaz lhes fica devendo, pelo que nos dizia respeito, tínhamos enorme empenho em assistir a essa homenagem ao dr. Rui pela muita consideração que a sua ex.ª nos merece
– Ainda seguiram para o Cadafaz nêsse dia?
– Não. Depois do jantar fomos visitar o Castelo, o encanto de todos os goienses, de facto merecedor das referências elogiosas que lhe tem feito o amigo "Gustavo" autor das admiráveis "Crónicas de Góis" em publicação em "A Comarca". A seguir fomos a Bordeiro, no automóvel do amigo Manuel Francisco Martins, fazendo uma visita à adega de seu sobrinho e nosso amigo sr. Manuel Carneiro e… “toca a bater em retirada” para Góis. Na manhã seguinte era necessário levantar cedo. O Cadafaz esperava-nos!
– Porque a extrema amabilidade da família de Manuel Francisco Martins não no-lo permitiu e ainda porque a chegada a Cadafaz, de noite, podia provocar... alteração de ordem pública!
– A que horas saíram de Góis?
– No 21,ás 8...
– E quando chegaram ao Cadafaz?
– Três horas depois...
– Então, de Góis ao Cadafaz o percurso é tão demorado?
– Não! Pela estrada são uns 10 quilómetros. Mas logo acima da Portela de Góis suportámos uma "panne". A estrada da Pampilhosa - 40-2 não está para correrias. Na Selada do Braçal largámos a estrada e depois... depois ... foram uns cinco quilómetros de aflições, sempre com o Credo na bôca! Se não fosse a coragem, perícia e sangue frio do motorista, o amigo Ernesto e nós teríamos conseguido um bonito funeral!...
– Uma aventura...
– Sim, mas sem ser amorosa!
– Mas não tinham mandado arranjar o “caminho”?
– Sim, mandámos. E o encarregado dos trabalhos e o pessoal neles empregado, fizeram muito em pouco tempo, mostrando bem o desejo que tinham em ver o automóvel rodando na terra do Cadafaz, até agora, em locomoção, só sentindo o pêso dos carros de bois... Mas como é natural, a "estrada" ficou estreita e descer duma serra para um baixo é tarefa arrojada. Só lhe digo isto: Houve sítios em que se o carro tivesse um desvio de dez centímetros nem a alma se nos aproveitava. E com a agravante de não levarmos pára-quedas!
– Como foram recebidos no Cadafaz?
– Um verdadeiro delírio! Foguetes, morteiros, abraços, lágrimas de alegria!
– Quantos dias se conservaram no Cadafaz?
– Seis dias que pareceram seis horas, com exposição permanente do carro aos mais incrédulos, que não queriam crer no "fenómeno". Na tarde da chegada houve um baile popular que esteve animadíssimo.
– Uma autêntica viagem de recreio...
– Só em parte. Porque também aproveitámos muito tempo a tratar de assuntos que dizem respeito à Liga e à Freguesia.
– Quando saíram do Cadafaz?
– Matinalmente, às 8 horas do dia 20.
– Porque não fizeram a jornada pelo caminho vicinal que andam construindo?
– Isso seria o ideal, mas os trabalhos ainda estão longe do Cadafaz. Está-se a concluir o primeiro lanço, perto de dois quilómetros, tendo-se pedido a assistência técnica para o segundo, que é de cinco quilómetros.
– Não foram visitar essas obras?
– Seria um erro imperdoável não fazer. Fomos e viemos satisfeitos com o que vimos.
– Quando chegaram a Lisboa?
– No dia 21, às 19 horas.
– Nesse caso dormiram pelo caminho?...
– Efectivamente, assim, é. Em Leiria ficámos em casa do distinto amigo sr. dr. Alberto Baeta da Veiga, que, não obstante ter a sua família em Góis, não se poupou a canseiras para nos rodear de comodidades.
– Não tiveram outras paragens durante a viagem?
– Visitámos em Cela o nosso conterrâneo e amigo, sr. João Martins Carneiro, que nos recebeu com galhardia. Tanto ele como sua esposa foram amabilíssimos. Perto das Caldas da Rainha retrocedemos para ir ao Sobral visitar a família da esposa do Ernesto Henriques Nunes. Igualmente nos cercaram das maiores atenções.
– Quando pensam efectuar outro passeio?
– O mais depressa possível. Mas então, não irá um só automóvel mas sim vários carros. Uma excursão, uma autêntica excursão!
– O que convém, nêsse caso, é melhorar a "estrada”...
– Claro! E desde já posso dizer que os naturais do Cadafaz ficaram tão entusiasmados que já ofereceram dias de trabalho para que a "estrada" fique em condições de lá passar um camião em vez de um automóvel. Confiança no futuro não falta!
Opera-se a dispersão. Manuel Martins dos Santos e Cláudio dos Santos, ainda ficam no café. Nós retiramo-nos apressados, porque já nos esperam em outro ponto. E fixamos esta frase final, do amigo Cláudio, que é bem, na sua singeleza, um programa de realizações, uma determinação imperativa:
– A Liga de Melhoramentos da Freguesia do Cadafaz não descansará na sua faina, em tudo que diz respeito a vias de comunicação, enquanto tôdas as povoações não estiverem servidas. Cumpre o seu dever não as desamparando.
LUIZ FERREIRA.

in A Comarca de Arganil de 2 de setembro de 1938



quinta-feira, 30 de abril de 2015

Noticia de outrora

DE VEZ EM QUANDO…

CADAFAZ A primeira visita!...

Estávamos em 1960, no mês de Junho - cheirando a manjerico e à sardinha assada, dos arraiais populares e do desfile das marchas na Avenida. Vicissitudes imponderáveis da vida, haviam-me afastado quase uma vintena de anos, da terra aonde nasci, o meu Fajão dos almocreves e dos célebres contos do Juiz, que andava sempre com um pé descalço e o outro não encarei, portanto, o meu regresso à Serra, com justificado alvoroço, embora não fosse ainda o retorno à minha terra natal. Mas, casara há poucos meses, e a minha esposa Arminda, era de uma família humilde e respeitável do Cadafaz. E iria, por certo, respirar a brisa que, do Alto Ceira, vinha da minha aldeia ciosamente guardada pelos imponentes Penedos de Fajão, sentinelas eternamente vigilantes.
Ao subirmos as voltas consecutivas da Lousã os panoramas arrebatadores, a largueza dos horizontes, a atmosfera campesina, o odor do mato e dos pinheiros tudo me fazia recordar a ultima vez (com sete anos apenas) que deixara a Serra e rumará para a capital num comboio fumarento, trepidante e vagaroso.
Quando abandonámos o autocarro, na Selada do Braçal (era uma excursão para o Carvalhal do Sapo, por alturas do S. João), a nossa família, meus sogros, meus cunhados, a minha esposa e eu, juntamente com os dedicados cadafazenses, prematuramente já falecidos José Martins (que grande alma.. ) e o Bladimiro Carneiro, e ainda o Silvério Carneiro, felizmente ainda vivo e com uma actividade regionalista intensa e digna de registo, em prol do Cadafaz; não tenho rebuço em confessar que me custou - a mim, habituado ao piso macio e regular da cidade - a calcorrear as ladeiras ásperas, carregado com pesadas malas, pretexto para amigável gáudio dos familiares e amigos …
Chegámos à Portela, ia derreado, cansado depois de quilómetros de pó em terra batida, com bagagem, suado e com calor. Daí avistei o Cadafaz, alcandorado numa vertente do rio Ceira. As suas casas negras, com os seus telhados de lajes, as suas ruas estreitinhas, a vida na aldeia vozear inconfundível dos seus habitantes, a juventude exuberante, tudo serviu para despertar em mim as reminiscências da terra onde nascera. O acolhimento, que generosamente me foi dado, calou bem no fundo no meu ser, jamais o esquecendo.
Desde então a gente do Cadafaz, nunca me canso de o afirmar, tem demonstrado uma hospitalidade, uma maneira gentil e fidalga de receber, franca, leal e sincera, desde os mais humildes aos mais bafejados pela fortuna, que nos diz logo que as virtudes serranas ainda não abandonaram aquele pequeno burgo, escondido entre serranias.
Foi esse carinho que me conquistou e absorveu, e no desfilar dos anos, deixei de ser um intruso antes fazendo parte integrante da comunidade cadafazense, à qual muito me orgulho de pertencer.
E hoje, já a alguns lustres de distância, nada mais grato ao meu espírito, observar a minha querida e saudosa filha, o meu filho e os meus netos, amarem a terra dos seus progenitores. Mas não só por esses laços indissolúveis que me ligam ao Cadafaz, como tributo à verdade, sem receito de desmentido, afirmo convicto nunca me esquecerei da primeira visita e tentando hoje, a cada momento, como ao longo dos anos e do tempo, em todas as oportunidades e em todas as circunstâncias, retribuir a consideração e a amizade recebidas.

António Batista de Almeida
in Jornal de Arganil de 20 de novembro de 2003



quinta-feira, 5 de março de 2015

Notícia de outrora

CADAFAZ
Teve lugar no dia 25 do corrente a inauguração da nossa fonte pública, no meio desta povoação.
A inauguração estava anunciada para as 14 horas, estando o local lindamente embandeirado.
Àquela hora, encontrando-se o largo repleto de gente, compareceram as comissões paroquiais Politica e Administrativa, que foram recebidas com muitos vivas e palmas, subindo ao ar muitas girandolas de foguetes e morteiros.
A seguir, o presidente da Comissão Administrativa, sr. José Simões, subiu a um estrado e disse que se ia proceder á inauguração da fonte, por todos tão desejada. Em seguida, discursou o sr. padre António Marcelino Henriques dos Santos, pároco desta freguesia, expondo as vantagens deste grande melhoramento, e terminou levantando vivas á Pátria, á República, á Comissão Municipal, ás comissões paroquiais Politica e Administrativa, ao povo da freguesia, etc. os quais foram todos muito saudados. O sr. José Francisco Simões levantou também alguns vivas aos nossos conterrâneos residentes em Lisboa, que contribuíram para a festa da inauguração, vivas que igualmente foram muito correspondidos.
Principiou-se, a seguir, a encher os cântaros e muita gente a beber a cristalina e fresca água do novo chafariz, no meio de grande entusiasmo, sendo nessa ocasião ensurdecedor o estoirar dos foguetes, que sem cessar subiam ao ar.
São dignos de louvor a Comissão Municipal, as Comissões locais e o povo, porque todos concorreram com solicitude, segundo as suas circunstâncias, para que este melhoramento se levasse a efeito. Por isto se vê que «a união faz a força». Há duas semanas a esta parte, que o povo trabalhava, com muito boa vontade, na vala, coisa que é raro ver-se quando são trabalhos públicos gratuitos, mas fizeram bem, porque  já hoje principiaram a colher o fruto. Dirigiu o trabalho da vala e deposito o nosso amigo António Lourenço Carneiro, que envidou todos os esforços para que o serviço ficasse perfeito.
Á inauguração assistiram os cidadãos José Francisco Simões, padre António Marcelino H. dos Santos, António Lourenço Carneiro, António Simões Félix, José Antunes dos Santos, Manuel Luiz Júnior, José Domingos Alves Baeta, Alberto Baeta da Veiga, Luiz Francisco Lourenço, Luiz da Silva e outros.
O sr. José Francisco Simões quis patentear o seu contentamento pelo grande melhoramento que a sua terra acabava de obter, oferecendo um belo jantar a alguns dos seus amigos.
— Esteve nesta freguesia o Sr. Virgílio Duarte Nogueira, digno secretário da administração do concelho de Goes, em serviço de arrolamento dos bens da igreja e capelas.

in A Comarca de Arganil de Agosto de 1912

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Notícia de outrora

Comissão Distrital

   A Comissão Distrital, em sua sessão de 6 do corrente, tomou, entre outras, as seguintes deliberações:
Declarar à Câmara Municipal da Góis que o projeto para a construção de uma fonte na povoação do Cadafaz não pode ser aprovado enquanto não for observado o preceito do regulamento para a fiscalização das águas potáveis, de 11 de maio de 1904.

in a Comarca de Arganil de 19 de Outubro de 1911

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Notícia de outrora

CADAFAZ, 22.
Em inspecção ás escolas desta freguesia esteve aqui no dia 11 do corrente o sr. Abel
Antonio Grilo, digno inspector do circulo escolar de Arganil.
— Regressou no sabado passado de Lisboa, onde havia ido conferenciar com o sr. Ministro da Justiça, o sr. padre Antonio Marcelino Henriques dos Santos.
Á sua chegada a esta localidade o povo fez-lhe uma grande manifestação de regosijo, subindo ao ar muitos foguetes.
Damos lhe os parabéns por a lei lhe garantir continuar a paroquiar a igreja desta freguesia.
— No dia 20 realizou-se nesta freguesia a costumada festividade de S. Sebastião.
Constou de missa cantada e procissão. Ao Evangelho subiu ao pulpito o rev. Pároco desta freguesia sr. padre Marcelino, proferindo um bonito sermão.
Terminada a festa religiosa, procedeu-se á distribuição do tradicional bôdo, que constou de uma malga de castanhas cosidas, um copo de vinho e um pão trigo.
Tudo correu na melhor harmonia, não havendo nota alguma discordante.

in A comarca de Arganil de 27 de janeiro de 1916

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Notícia de outrora

Os dirigentes e associados da União pelo Progresso do Cadafaz reuniram-se num almoço de confraternização

LISBOA, 5—Como tínhamos anunciado, realizou-se no passado dia 28 o almoço de confraternização promovido pela direção da União pelo Progresso do Cadafaz, que teve lugar no restaurante Alcobaça, na Calçada do Sacramento, n° 19, em Lisboa. Cerca de 50 convivas tomaram parte neste almoço de confraternização, que decorreu com grande animação, embora fosse o primeiro almoço que esta coletividade organizava.
Presidiu o sr. Benjamim de Almeida, presidente da Assembleia geral.
Usou da palavra, em primeiro lugar, o presidente da direção, sr. Fernando Alves de Almeida, que disse o seguinte: «Este é um dia inolvidável da vida desta colectividade. É a primeira vez que temos a boa sorte de encontrar naturais da mesma terra e freguesia em tão alegre convívio. Agradeço reconhecidamente, em nome da direcção a todos os presentes a sua comparência e também àqueles que, embora ausentes, não deixarão de estar connosco em pensamento. A nossa colectividade é bastante jovem, pois foi criada apenas há oito meses. Nasceu por iniciativa dos filhos do Cadafaz, precisamente por causa da estação dos correios. Foi, como todos sabem, o motivo da sua criação, e com satisfação podemos dizer que todos nós respondemos imediatamente, tornando possível arranjar a verba mensal para pagar ao encarregado do posto. Temos aspirações em tornar Cadafaz mais adiantado, mas para que isso se realize é indispensável que todos lutem. Não poderemos ter apenas ideias, é necessário que todos contribuam com a sua parte, para que os conterrâneos mais experientes, ainda afastados, se aproximem. Precisamos da ajuda de todos. Não podemos estar afastados, e é preciso paciência, sinceridade e desejo em estar de acordo e, sobretudo, que aqueles mais bafejados pela sorte não se esqueçam da terra que lhes serviu de berço, para que um dia se possam orgulhar dela. Aproveito também para, em nome da direcção, agradecer ao sr. Manuel Martins dos Santos a sua presença. Isso vem confirmar mais uma vez o carinho, a compreensão e a alegria com que acompanha as actividades dos naturais do Cadafaz. A terminar, brindo pela saúde e prosperidade de todos vos e da nossa colectividade».
Em seguida, o sr. Guilherme Simões Vicente, 1.° secretário da direcção, em nome da União pelo Progresso de Cadafaz, agradeceu à imprensa de Arganil e seus redactores em Lisboa, Claudino Alves de Almeida e António Lopes Machado, e ainda ao sr. Presidente da Junta de Freguesia do Cadafaz, pela boa colaboração prestada às iniciativas desta colectividade.
Depois, usaram da palavra os srs. Manuel Martins dos Santos, que leu uma carta que tinha recebido do sr. Gentil Lopes Nunes, o que a direcção da colectividade registou com profundo reconhecimento; Fernando Carneiro, garantindo que no espaço de dois anos deve estar a freguesia do Cadafaz electrificada; Afonso Baptista de Almeida, que elogiou os cadafazenses pela criação daquela colectividade, para tratar do engrandecimento de toda a freguesia; e Artur Alberto Nunes, que enalteceu as Iniciativas daquela agremiação.

in a Comarca de Arganil de 8 de junho de 1961

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Notícia de outrora

A freguesia do Cadafaz
___________

Tendo sido levantada a interdição a esta freguesia, foi no domingo feita a reconciliação pública

Cadafaz, 3.— Como é sabido, esta freguesia havia sido declarada interdita por s.
ex ª. rev.mª o sr. Bispo-Conde desta diocese há uns poucos de anos. Esta situação, porém, há muito que trazia contrariada toda esta gente; e ultimamente, com a  publicação do decreto que concedeu a personalidade jurídica á Igreja, mais se acentuou o desejo de voltar ao grémio católico, e nesse sentido foi enviada uma representação, assinada por todo o povo da freguesia, ao sr. Bispo, a quem imploravam também perdão por terem sustentado o schisma durante tantos anos. O sr. Bispo Coadjutor levantou logo o interdito tanto á igreja como á freguesia e encarregou o sr. padre André de Almeida Freire, pároco em Areias (Santarém), de exercer a paroquialidade da nossa freguesia durante algum tempo até á nomeação de pároco definitivo, o que não tardará, e do reconciliar a igreja e freguesia. Esta reconciliação pública, foi feita hoje e podemos dizer que significou um dia de festa para esta freguesia. Em todos os rostos se lia a maior satisfação por esse facto. A freguesia em peso assistiu a todas as cerimónias com o maior respeito, achando-se a igreja repleta. Antes da missa paroquial que estava marcada para as 11 horas, o sr. Padre André d'Almeida Freire procedeu á bênção da igreja, indo depois ao cemitério acompanhado duma grande multidão de povo, não só desta freguesia como das vizinhas. Depois regressou á igreja, subindo ao púlpito onde leu o decreto pelo qual o sr.Bispo lhe dava poderes para o levantamento do interdito e bênção da igreja, cemitério e capelas, fazendo em seguida uma larga prática mostrando ao povo do Cadafaz qual o caminho a seguir para legalizarem a sua situação perante a igreja católica. Eram 14 horas quando terminaram todas as cerimónias. A essa hora passava sobre esta localidade um aeroplano, voando a pouca altura e levando o rumo sul. A nomeação do sr. padre André de Almeida Freire para pároco desta freguesia foi bem recebida por toda a gente. É natural da vizinha freguesia do Colmeal e filho do nosso amigo sr. António d'Almeida Freire, a quem damos os nossos parabéns.
— Está já constituída a comissão encarregada do culto nesta freguesia, tendo ficado
composta dos srs. padre André de Almeida Freire, presidente; José Maria Alves Martins, secretario; Manuel Henriques d'Almeida, tesoureiro; António Simões Félix, António Martins Carneiro, Guilherme Gaspar e Cipriano Serafim Ramos, vogais.
in A Comarca de Arganil de 7 de outubro de 1926 

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Noticia de Outrora

Cadafaz, 27— É deveras lastimoso o estado em que te encontra o nosso chafariz.
Se a iniciativa particular, já que o município nos votou ao mais completo esquecimento, não o submete a uma rigorosa operação, dentro em pouco não terá esta povoação onde colha uma gota d'agua, cuja falta então se sentirá. Para a comissão e sub-comissão de melhoramentos, há tempo constituídas, apelamos no sentido de porem em prática o seu projeto de nova canalização, pois que a atual, além de anti-higiénica, não tem a capacidade suficiente para abastecer o chafariz, quando é certo que na nascente há água com abundancia. Mande a comissão elaborar o respectivo orçamento por pessoa competente, e depois abra-se uma subscrição pública para custear as despesas com a conceção deste melhoramento, da maior importância para esta localidade. E porque assim é, ninguém, estamos certos, negará o seu concurso para tão proveitosa obra.
Avante, pois, comissão e sub-comissão dos melhoramentos do Cadafaz!
Sinitram
in A Comarca de Arganil de 2 de junho de 1927 

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Notícia de outrora

Professora em Cadafaz há mais de 5O anos
- D. Laurinda Maria da Silva Mariano evoca esses tempos, desfolha recordações e promete voltar.

«O Cadafaz e a sua gente cativaram-me logo de início». É assim que a D. Laurinda Maria da Silva Mariano começa a carta que amavelmente me dirigiu. Uma carta extremamente cativante e altamente significativa. Manuscrita com o mesmo tipo de letra que, há mais de 50 anos, ensinou e apresentou aos seus alunos, ao grupo dos quais sempre senti orgulho de pertencer. É um texto que derrama saudade e exalta as
virtudes das gentes cadafazenses. Merece a pena divulga-la.
A historia da minha querida professora, aqui em saliência, parte de uma cena preocupante, a qual, assinalada hoje, à distancia de mais de meio seculo se tem de
aceitar e compreender. Ali se fala do virtuosismo e qualidades das crianças que eram e que hoje homens e mulheres são. Da parte que me toca deixo extravasar o meu sincero reconhecimento.
«Quando fui - começa por contar - para lá nomeada, calculava uma terra isolada, uma serra, sem transportes e um povo atrasado. Nada disso, transportes não tinham, mas era um povo evoluído e crianças espertíssimas como nunca encontrei. Vinha dos distritos de Leiria e de Santarém, um povo muito atrasado, apesar de terem lá os transportes. Nas crianças havia uma grande percentagem de anormais».
E «como recordar é viver, sinto-me feliz a falar do Cadafaz», acrescentou. A sua alma saudosa e o coração que tanto se afeiçoaram e se doaram a esta aldeia, abrem-se de par e par. É o retrato e a imagem de um passado longínquo a manterem-se vivos e lúcidos nos dias de hoje. Retalhos de vida que jamais se esquecerão.
«Vou começar pelo princípio - e iniciou a narrativa com entusiasmo: Um dia, há muitos anos, cheguei a Góis, onde tinha de tomar posse da escola do Cadafaz, para onde concorri e tinha sido nomeada. Depois das formalidades da posse, apresentaram-me uns senhores que deveriam ser da Junta de Freguesia, com uma mula para me transportar. Com muitas recomendações, para não puxar a arreata que ela não gostava e fazia o pino. Assim seguiu a caravana por uma estrada de carro de bois, a beira do Ceira. O meu irmão ia tão assustado com os precipícios que me dizia baixinho «não fiques cá». Eu ia tao grata com aquela nobre acção daqueles homens bons, que deixaram os seus afazeres para irem ao encontro da professora, que não tinha transporte e nem sabia o caminho para lá chegar».
Prosseguindo a reconstrução da tela com a sua memória rejuvenescida - apesar dos seus 85 anos - arquivou com enlevo as passagens dessa vida. Folhas desfolhadas em delírio de encanto. Em abraço consciente de quem soube (e sabe) cumprir com dignidade, elevação e mestria as suas funções e as suas obrigações.
«Agora - retomando a palavra - o meu irmão ficou-lhe aquela atravessada, sempre que me escrevia, recomendava-me que quando fosse a Góis, que fosse pela rodeira de cima. Claro eu nunca mais por lá passei. Aquela estrada era o «macdame» daquele tempo. Quando ia a Góis descia e subia e não me custava nada».
Mais um episódio se regista. Significativo. Edificante. Merecedor do maior apreço. A referida estrada que, de Góis passava por Cortecega, Cabreira, etc., foi, felizmente, passados anos, totalmente modificada, ao longo do Vale do Ceira. Hoje é asfaltada.
Mas retomemos o fio da descrição. Já ressaltou, em catadupas, a nobreza daquelas gentes mergulhadas em onda de amor, de amizade, de carinho. Tempos em que o sacrifício era sinonimo de prazer, em que as agruras se transformavam em felicidade, em que o sentimento fraterno não era palavra vã.
«Uma vez - e mais um caso comovente se relata - ia mais uma senhora que me acompanhava e levava sempre uma lanterna de azeite, que ela me dizia que era
para afugentar os lobos. Mas numa dessas viagens a lanterna não acendia. Chegámos a ponte da Cabreira e ela foi pedir aos lagareiros para lhe darem uma pinga de azeite. E eles, simpáticos, encheram a lanterna. Mas a lanterna continuava teimosa. A pobrezinha lembrou-se que era da torcida. Foi a um farrapo que estava a espantar os coelhos. Fez a torcida mas também não se via nadinha, era noite cerrada. Mas aquela
santa gente que sabia que nós não tínhamos regressado, não hesitaram, foram com um lampião de petróleo ao nosso encontro. Actos destes só no Cadafaz».
Tudo isto constitui volume de páginas encantadoras. Tudo se transforma em hino laudatório às gentes e coisas do Cadafaz. Um rosário de nostalgia e de recordações fagueiras e altamente valiosas. É a pureza do sentir e a transparência da eterna gratidão.
«As vezes - rematou – conto estas coisas e mais aos meus filhos e netos e eles tem uma grande simpatia pelo Cadafaz. O meu filho fez-me, há vinte anos, uma surpresa de me la levar. Desta vez gostei muito de lá ir. Encontrei-vos. Vim contente. Só triste porque as minhas amiguinhas, daquele tempo, já todas desapareceram.
Agora, volto lá, mas só para o tempo quente, não quero que se incomodem comigo.
Depois disto, deste consolador e reconfortante reviver a vida do passado, há mais de meio seculo, em Cadafaz, onde continua a morar a amizade e a afeição dos seus já idosos alunos e também das pessoas que por ali vão mourejando, poderemos assegurar à querida e sempre lembrada professora, D. Laurinda Maria da Silva Mariano, que a sua prometida e tão desejada visita àquela aldeia se efectue dentro
em pouco. O tempo quente chegará. Incómodos da parte dos seus numerosos amigos que a esperam e anseiam jamais existirão. De braços abertos, em jornada de amizade
e de alto apreço, ali a receberemos com alegria, cantando hossanas pelo reencontro amigo e confraternizante.
ALMAR.


in A Comarca de Arganil de 1 de Janeiro de 1990 

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Notícia de outrora

Alto do Calvário
O que foi o bairrismo na freguesia de Cadafaz tempos não muito distantes, em que um grupo de amigos residentes em Lisboa se juntavam em fins-de-semana para conversarem e trocarem impressões sobre assuntos relacionados com as suas terras de origem em que faziam parte desse grupo vários industriais de Mármore, entre os quais se encontravam o senhor ANTÓNIO MARGALHA DO CALVÁRIO que não sendo oriundo de Cadafaz era desta terra um grande amigo sócio de ANTÓNIO DE ALMEIDA e GUILHERME VIDAL, como digo na industria de mármore.
Veio então no seguimento da conversa que ficava bem um cruzeiro na entrada de Cadafaz, este nosso amigo Calvário se prontificou a fazer e oferecer a cruz; no entanto, como não concordassem com isso, ficou assente que seria custeada pelos srs. Calvário, António de Almeida e Manuel Domingos Alves.
Assim, em 18/08/1964, ali foi colocada, no mesmo local em que se encontra e aonde ficara a perpetuar a memória destes grandes bairristas que não olhavam a despesas em tudo que engrandecesse o Cadafaz.
Foi em 18/08/2004 que a viúva e os filhos do sr. Calvário mandaram colocar como recordação esta placa lindíssima, homenageando seu marido e os amigos, que para além dos descritos havia muitos mais a acrescentar, que como eles nos deixaram para sempre seguindo a lei da vida.
Aqui lhes deixo a minha homenagem de agradecimento por tudo que fizeram, e, a suas famílias cumprimento agradecendo também o lindo gesto que tiveram em darem um novo nome porque só o conhecíamos por CALVÁRIO, mas agora fica sendo o ALTO DO CALVÁRIO
Luciano Nunes dos Reis

in Jornal de Arganil de 31 de Março de 2005

sábado, 24 de maio de 2014

Notícia de outrora

Cadafaz
Ao abrirmos um jornal, logo nos chega ideia de procurar noticias da nossa terra. Lemos e relemos, mas quase sempre sofremos uma desilusão. Nas páginas do mesmo, raras são as vezes que lemos a palavra consoladora da nossa aldeia. Mas porque havemos de esquecer aquele torrão que nos é tão querido?
Não! não podemos fazer isso! Porque dizendo ou descrevendo um pouco dela, suaviza mais o esprito dos seus filhos ausentes, faz-lhes sentir mais vivamente aquele não sei quê que anda dentro de todos nós e que nos faz suspirar pela nossa terra. Pois bem: o Cadafaz também tem que ser relembrado de vez em quando. Embora seja uma aldeia pequena, é, em compensação, possuidora de gente boa, respeitadora e humilde. É a sede freguesia e por isso já tem algumas comodidades, estando em primeiro lugar o telefone. Ainda faltam outros melhoramentos, mas, com o decorrer do tempo e a boa vontade das pessoas competentes, que para isso trabalham com afinco, estamos certos de que os seus sonhos se tornarão em realidade.
— Decorreu com grande animação a festa realizada recentemente nesta localidade. Comungaram cerca de 50 crianças, que muito embelezavam a procissão. As meninas, em especial, lembravam um bando de pombas brancas. Para assistir à festa, deslocaram-se de Lisboa bastantes pessoas, que nos deram malto prazer com a sua visita.
— Realizou-se na igreja desta freguesia o baptizado do filhinho do sr. Augusto Fragoso e de sua esposa, D. Albertina Simões de Almeida, o qual recebeu o nome de Mário.
— Também se baptizou um filhinho do sr. Manuel Filipe Henriques e de sua esposa D. Alice Henriques, que recebeu o mesmo nome de Mário.

in Comarca de Arganil de 4 de setembro 1951

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Notícia de outrora

CADAFAZ
Há dias estava eu pensando que a nossa pequena ia fazer anos e que, como seu amigo e admirador que sou, lhe devia dar os parabéns e manifestar-lhe os meus sinceros desejos porque o novo ano que vai iniciar lhe corra muito próspero, quando fui surpreendido pelo toque d'uma corneta. Julguei-me numa estação de caminho de ferro assistindo ás manobras de algum comboio que estava para partir.
Enganei-me, porem. Era o padeiro que anunciava a sua chegada. Pouco depois, o homem, com o instrumento a tiracolo, não tinha mãos a medir. As mulherzinhas rodeavam-no. Umas queriam 5, outras 6 pães de 3 centavos e meio, e outras queriam dos grandes. O homem, atrapalhado, dizia: «Estes são de 8 centavos».
E julga alguma gente que à nossa terra não chega pão fino? Enganam-se. São cinco os padeiros que nos vem visitar todas as semanas.
— O tempo tem ido enxuto para apanha da azeitona, que este ano é muito pouca.
O frio, porem, tem sido bastante. O que nos tem valido são as duas chavenazinhas do belo café Thereza & C.ª, com que este proprietário nos mimoseia todos os dias.
— A colheita do milho por aqui foi superior ao que se esperava.

in A Comarca de Arganil de 1 de janeiro de 1913

quinta-feira, 27 de março de 2014

Notícia de outrora

Cadafaz
Como estava anunciado, realizou-se, nesta freguesia, no dia 9 de março corrente, a Festa da Árvore. Às 11 horas reuniram-se os alunos na escola do sexo masculino em numero de 36 e d'ali foram para junto da capela de Santo António, onde os esperavam as Comissões Politica e Administrativa, o Regedor e muito povo. Ali formaram os alunos a dois de fundo executando alguns exercícios de ginástica sueca. Findos estes exercícios puseram-se em marcha levando uns, algumas bandeiras nacionais, outros, as árvores e outros os alviões e pás, cantando a Portuguesa. Na retaguarda iam as comissões, o regedor e o povo. Chegado o cortejo ao local escolhido para a plantação das árvores, junto ao novo chafariz, no meio da povoação, subiram ao ar muitos foguetes e morteiros, tocando a maquina falante, o Hino Nacional, o 5 de outubro, o Hino das árvores, o 1 de dezembro e muitas outras musicas adquiridas para serem tocadas neste acto, e procedeu-se a plantação da árvore Acer pseudo-platanus. Em seguida o professor sr. Manuel Luiz Júnior proferiu uma excelente locução adequada ao acto, plantando-se depois a árvore Tremula (choupo). Depois recitou uma poesia, o aluno Gentil de Jesus Lopes, plantando-se depois a árvore Aylanles glaudulosa. Em seguida falou o sr. padre António Marcelino Henriques dos Santos, pároco desta freguesia, explicando o que era a instrução, o fim instrutivo da festa e a utilidade das árvores plantando-se a árvore Acer negunde (pau-ferro), recitando depois uma poesia o aluno José dos Santos. Os alunos recitantes portaram-se na devida altura recitando muito bem. Tanto professor como o sr. padre Marcelino no fim dos seus discursos levantaram vivas á Instrução, á Pátria, ao governo, ao iniciador da festa, ao digno inspector escolar deste circulo, ás comissões locais, politica e administrativa. Também houve quem levantasse vivas ao pároco e professor. Todos os vivas foram muito correspondidos. Finda a plantação das árvores dirigiram-se os alunos para a escola, cantando a Portuguesa, onde lhes foram distribuídas bolachas oferecidas pelo professor e vinho oferecido pelo sr. padre Marcelino, os quais comiam e bebiam com apetite ao som da musica da maquina falante. Nesta ocasião subiram ao ar muitos foguetes e morteiros. E assim terminou a simpática Festa que ficará gravada no espírito de nós todos. Assistiram á festa, alem de muito povo os seguintes cidadãos: padre Marcelino, José Simões Folgosa, António Lourenço Caneiro, José Antunes dos Santos, Manuel Nunes, Joaquim Francisco Alves Muro, José Domingos Alves Baeta, José Gonçalves, Manuel Simões Alves, José Rodrigues dos Santos, Augusto Lourenço, Manuel Alves Melão, José Maria Nunes, António Simões Folgosa e muitos outros, cujos nomes me não recordam.

in A Comarca de Arganil de 13 de março de 1913

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Notícia de outrora

CADAFAZ
O depósito da água, no Porto, da fonte que se projeta fazer no meio desta povoação, já esta construído, e a vala para assentamento dos canos vai principiar brevemente.
— As Comissões Politica e Administrativa, em sessão, conjuntas, pediram uma estação telefónica para esta freguesia, e nesta reunião alguns proprietários mais zelosos pelo engrandecimento da sua terra, que estavam presentes, ofereceram postes de castanho para a terça parte da linha.
Esperamos que sejam atendidos, visto ser um melhoramento de que muito carece esta freguesia, por ficar a grande distância da sede do concelho e os caminhos serem muito maus.
— Este ano não há por aqui azeite, porque a azeitona, com o tempo húmido e frio que fez, caiu toda. O vinho também vai ser pouco. Tem feito um tempo improprio da estação. O Céu está sempre nublado, mas, nem chove, nem faz sol que aqueça. Os milhos de terra seca estão bons, mas os das terras de rega, que são em maior quantidade, estão muito amarelos com o frio. Se não vier calor, não darão nada.

in A Comarca de Arganil de 1 de Agosto de 1912

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Cadafaz

Foto anterior a 2001

Foto de Cila Nunes



domingo, 26 de janeiro de 2014

Notícia de outrora

A  S. Sebastião, em Cadafaz

Cadafaz, 14.— É no próximo dia 20 que nesta localidade se realiza a tradicional festividade do bodo em honra de S. Sebastião.
Às 8 boras, alvorada com uma salva de morteiros; ás 9, proceder-se-á á bênção do bodo; ás 10, missa cantada, seguida de sermão pelo digno pároco desta freguesia sr. Padre André d'Almeida Freire; às 11 e meia, procissão que percorrerá o itinerário do costume. Finda esta, proceder-se-á á distribuição do bodo, que consta de pão de trigo, castanhas e vinho. O juiz, sr. Manuel Domingos Martins, de Corterredor, está empregando todos os esforços para que a festa revista o maior brilho possível.—Snitram.

in A Comarca de Arganil Nº1912 de 17 de janeiro de 1933

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Volta do Carro

A foto retrata a Volta do Carro de há muitos anos, nela podemos ver de costa a Cila Nunes e a Fátima Branco.

Foto de Fátima Branco

domingo, 27 de outubro de 2013

40 anos de diferença

As duas fotos, tiradas no Cadafaz, retratam o Valdemar Nunes e o Pedro Gonçalves da Sandinha, e tem perto de quarenta anos de diferença.
Na primeira estão os dois em cima da mula Boneca ainda crianças:

Foto de Cila Nunes


Hoje já adultos: