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domingo, 20 de outubro de 2019

Folhas Soltas de Cadafaz por A. Silva


Temas e Problemas – Parte 4

Após as férias de verão, regressa a monotonia da aldeia, facto a que já nos vamos habituando e tentando resistir mediante os recursos ou benefícios de que dispomos ou nos foram deixando os nossos governantes ou responsáveis pela comunidade, ao longo destes últimos anos e que são deveras exíguos. Parecendo-nos quase um milagre que mesmo assim, são muitos os conterrâneos e familiares, que nos alegram com a sua estadia nem que seja por pouco tempo, mas... que se pode esperar, nem só a magia de uma aldeia rural, o contato com a natureza que só por si é quase como um antidoto contra o ambiente vivido na cidade. Atualmente é preciso mais, para os nossos jovens e não só. Mas são estes na maioria a quem ainda possivelmente, lhes corre sangue nas veias herdadas dos seus antecessores e laboriosos bairristas da Liga e União de Cadafaz, que vão fazendo algo diferente no nosso quotidiano.
Não poderei deixar de salientar o trabalho exaustivo levado a efeito pela União Recreativa de Cadafaz, que este ano nos brindou com o Festival das Sopas no Largo de Santo António, foi sem dúvida um dos melhores sucessos. Não terá sido tarefa fácil, deslocações perda de descanso etc. E, dias depois as habituais festividades relativas à União e a Na Senhora das Neves, havendo missa procissão e leilão.
PROBLEMAS:-Trata- -se da colocação das Placas Toponímicas e N° de Policia na povoação de Cadafaz. - Após a notícia de um serviço há muito desejado e obrigatório, ficámos convictos que seria uma realidade (2018). Afinal mais uma vez, serviço feito! Não feito! Resumindo um feito incompleto. Não tento desmoralizar a ação do pessoal presente, mas sim de alguém que os deveria ter acompanhado com conhecimento dos locais. Possivelmente elemento da JF se é que saberá? Vejamos por exemplo:
1)- Foram colocadas Placas Toponímicas onde já havia outra e no mesmo sentido, não havendo nenhuma em sentido inverso. 2) - Foram colocadas algumas placas em locais e depois retiradas. 3) faltam placas em alguns sítios. 4) - N° de Polícia foram marcados alguns em locais onde não era a porta principal de entrada da casa. 5) - Fizeram-se os furos com bucha e parafuso, sendo os números feitos com marcador na parede. Claro que envergonhados desapareceram com a chuva e, como um problema nunca vem só, a seguir recebemos uma informação dos CTT exigindo o preenchimento dos endereços correto com nome de Rua e N° de polícia caso contrário não nos seria entregue a correspondência. Perante esta situação pela qual poderemos ser prejudicados e que se mantém ainda (2019) que podemos fazer. Sei que houve pedidos de informação nos CTT de Góis e nos serviços Camarários, cujas respostas evasivas, nada solucionaram. Também foram dados nomes a ruas ou quelhos conhecidos por outros. Dos quais não foi dado conhecimento a quem ainda cá mora. Talvez não fosse impossível ou dispendioso a afixação de uma informação ou planta num Placard.

Cadafaz, Setembro 2019

in o Varzeense de 30 de setembro de 2019

domingo, 31 de março de 2019

Folhas Soltas de Cadafaz Por A. Silva


REVER-RELEMBRANDO

“Em Fevereiro de 1941 o País foi atravessado por um ciclone terrível, em que houve imensos estragos. Vistos e ponderados os estragos foi enviado requerimento a solicitar ajuda para a reconstrução da Ponte da Sandinha sobre o rio Ceira, pelo que foi cedida a verba de 11.000$00. Sendo também adquirida a verba de 4.000$00, na venda de cepas.
Neste ano foi nomeado Manuel Francisco Jorge, para Delegado da Comissão Base XL -Lei 1971 de 5-6-1938, referente ao perímetro de Góis submetido ao Regime Florestal.
Procedeu-se também à distribuição da verba respeitante ao Imposto Braçal, assim distribuída: Cadafaz - 290$00, Candosa - 150$00 - Capelo - 150$00, Sandinha - 180$00, Cabreira - 250$00, Tarrastal e Relvas - 150$00, Mestras -        150$00, Corterredor - 180S00, e pagamento de um carimbo para Escola 10S00.
É feito um voto de louvor a Manuel Martins dos Santos por ter cedido a sala da sua casa para reuniões da Junta de Freguesia... Nota: Esta situação foi idêntica a mais presidentes.
Em 1944, deve ter havido mudança de elementos da junta sendo nomeado Presidente Guilherme Simões Alves até 1974.
Como era habitual havia em cada povoação - uma pessoa que fiscalizava e orientava os trabalhos e reparações dos caminhos (exemplo que devia ser seguido atualmente) - por isso recebia uma gratificação, assim foi feita a seguinte distribuição: Manuel Francisco Jorge - 500$00 -Cadafaz, Cipriano Serafim Ramos - 130S00 - Candosa, António Marques de Almeida - 120S00 - Capelo, Joaquim Francisco Alves Muro - 140S00 - Sandinha, Casimiro Rodrigues Alves - 220$00 – Cabreira, António Afonso Neves - 120$00 - Tarrastal, Alcindo Alves - 120$00 - Mestras, Luís Gonçalves Almeida - 150$00 - Corterredor. Verbas também provenientes da jeira braçal e venda de cepas. Daí as consequências, sobre a guerra dos carvoeiros...
Em, 1945, a velha Escola sofreu as primeiras modificações em virtude da anterior criação de escola mista já estar a funcionar num edifício para tal edificado oferta de um benemérito da Freguesia J.D.A.B. em 1922. Assim o anterior edifício foi para obras, pagando-se a Manuel Francisco Jorge a importância de 500$00, foi adaptado a sede da Junta de Freguesia e Registo Civil.
Em 1971 foi inaugurado outro edifício Escolar com condições adequadas, poucos anos funcionou tal como os restantes devido à falta de alunos. Passado anos o edifício onde funcionou o Registo Civil, foi de novo recuperado e modificado pelo então atual Presidente Virgílio Nunes dos Reis, 1974- 1997, funcionando com instalações da Junta de Freguesia - Posto Médico - Posto do Registo Civil e Sala de Estar. Seguiram-se outras entidades na Junta de Freguesia, Prof. Daniel Neves até 2005 e Casimiro Alves Vicente até 2013. Também estes, idealizaram alguns feitos, mas os essenciais à comunidade foram perdidos. Como o Posto Médico, Caixa do Correio, Serviços aos utentes na povoação etc.
Note-se que embora só mencione a Junta de Freguesia após a Separação Igreja-Estado, a verdade é que continuou uma grande interligação entre as outras Entidades como a Junta da Paróquia, (atual Fábrica da Igreja) Liga de Melhoramentos, Associações Recreativas inclusive as Entidades das Freguesias vizinhas e a comprovar depararmos com informações, convites, etc.
Eis este curioso... “Em 14 de Agosto de 1938, foi recebido um ofício do Colmeal nesta Junta de Freguesia - Em face dos desentendimentos entre os habitantes desta e daquela freguesia, na parte que limita esta povoação com a do Carvalhal, foram esta e aquela Junta no dia 13 do corrente proceder à sua demarcação que assim ficou determinado: Partindo da Ribeira do Carvalhal de junto à fazenda do Carteiro pelo viso da Penitencia até ao Fojo, estrada que liga esta ao Carvalhal, partindo dali aos Cadavais entre as duas levadas que vem do Sardão onde se encontram os respetivos marcos seguindo dali pela parte da estrada do Rebolo à Ribeira do Sardão e nesta nos castanheiros que pertencem aos herdeiros de Joaquim Francisco, pelo viso da Beliteira onde estão ao marcos, seguindo dali à encosta ao barroco da Tarrastosa, junto a estrada e segue a linha da serra. CONCLUINDO: O meu resumo histórico já vai longo, e o presente já não tem história para eu contar... talvez que os vindouros ainda encontrem, algo que lhes mereça a atenção que estes me mereceram. Talvez também porque ainda conheci ou conheço ainda alguns destes grandes Cadafazenses, pretendo
que seja este um preito de homenagem publicando pequenos resumos do seu profícuo trabalho, em épocas e locais quase remotos, sem verbas onerosas, sem meios de comunicação. Também esta publicação só é possível graças a quem teve a feliz ideia de recortar e guardar artigos há muito publicados na Imprensa e outros apontamentos; pessoais que eu com o devido respeito pelos intervenientes, e por Cadafaz muito agradeço.

Cadafaz, 2018

in O Varzeense de 15/03/2019



quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Folhas Soltas de Cadafaz Por A. Silva


REVER-RELEMBRANDO

2) REVER RELEMBRANDO
Em 1938, é enviado pela Junta de Freguesia de Cadafaz, um ofício que, nos indica a forma como tudo era feito, explicado e escrito mediante um tinteiro, papel e caneta de aparo (?) =” Pedido de cabine via Estação Postal. Proposta ao Ex°. Senhor Governador Civil de Coimbra – Iº) Considerando que nestes povos em sono letárgico e apático durante séculos começa agora a renascer uma nova fé pela atuação do Estado Novo. 2º) Considerando que a área enorme desta freguesia, sem plano de estradas ou caminhos transitáveis por onde se possa passar, importar ou exportar os produtos de que necessita, pois que a estrada nacional lhe fica a mais de 25 Km. 3º) Considerando que nesta freguesia não há hospital, asilo, maternidade, creche, eletricidade, telegrafo, radiotelefonia ou qualquer posto médico ficando a sede do concelho a grande distancia quase por veredas e penhascos, pelo que 98% do obituário desta freguesia morre sem assistência médica.- Esta Junta deliberou solicitar que pela administração Geral dos correios e Telégrafos e Telefones seja montada uma cabine via estação postal na sede de freguesia, evitando assim que muita gente morra desumanamente sem assistência médica e proporcionando algumas comodidades que o lento desenvolvimento comercial a Liga de Melhoramentos da colonia de Lisboa e outros elementos espalhados pelo mundo há tanto tempo vem reclamando e para cuja efetivação há mais de 15 anos foi publicado decreto”. NOTA CURIOSA - passado 80 anos!... Será que vamos, retrocedendo no tempo perante as situações atuais? Mas... 1938 contínua, verificamos que pela primeira vez foram pedidas placas de ferro para o cemitério. “Torna-se necessário remediar um grave inconveniente, mas as finanças da Junta são precárias, deliberando a Junta ser impróprio da época em que vivemos fazer enterros em covais sem n° de registo em livro. Solicita-se que seja concedido 2.000$00 para 200 placas e obra a fim de resolver tamanha importância.
Outro assunto que parece também hoje atualizado, cujo tema OS BALDIOS - “Arborização dos Baldios”. A intenção da Junta em 1938:- Considerando que há grandes áreas de baldios Paroquiais - segundo o acórdão do Tribunal Administrativo de Coimbra a superfície total da freguesia se estende por 70 Km2 (atualmente 2018 consta esta superfície nas duas UNIÃO DE FREGUESIAS (? Encolheu...) - Considera-se que esses baldios devem ficar ao abrigo n° 4 do código administrativo. Já que o recurso da Junta nem em 500 anos faria a arborização. Deliberou a Junta, ser feita pelos serviços florestais com pinheiros e outras espécies. Tal serviço foi feito anos depois exagerando a ocupação de terrenos das populações. Pelo que levou a Junta de Freguesia a fazer uma - demarcação certa. - «Que seja arborizado o triângulo entre a estrada nacional 40\2ª vertente lado sul da serra e caminho vicinal, que se estava a construir por planta oficial. E assim uma faixa de 100 metros a todo o lado esquerdo do referido caminho vicinal, havendo a vantagem da mata ser servida por estrada dos dois lados e retenção das águas fluviais de forma a evitar erosão ou descargas de areias nos afluentes do Ceira. Situando-se esta mata nacional ao longo da Lomba da Relvas. A estrada foi feita mais tarde.
Em 1940- Foi deliberado oficiar à Junta de Província, solicitando uma Sede para a Junta de Freguesia, Julgado de Paz (Regedor) e Posto do Registo Civil. Mas... só passado alguns anos se veio a concretizar. Na Junta continuam os mesmos responsáveis de 1937 e neste ano também foi deliberado fazer-se o pagamento de uma semeadura de pinhal pertença da junta de Freguesia na Lomba do Escaldado a partir de Nascente com Soito de Castanheiros do Vale de Negro e pinhal de José Francisco Simões, Poente Soito de Castanheiros do Barroco do Escaldado - Norte com estrada de ligação Candosa |Cadafaz, e Sul viso da lomba. Também a venda das cepas foi proveitosa mas houve despesas no Corterredor Cadafaz, Cabreira etc. 1941 - Fala-se novamente de arborização em mais terrenos da junta de Freguesia. - Considerando-se, que a área da freguesia são : aproximadamente 70km2 mais de 7% são baldios e que podem ser aproveitados na plantação de castanheiros, oliveiras e nogueiras e outras espécies, aceitando-se a modalidade de entre três ser feita pelos serviços florestais mas tendo o corpo administrativo parte nos lucros - cuja área se estende pelas Pedras do Lumiar- Nª. Srª do Desterro Entre – Capelos – Alto do Corterredor- Cabeço da Mata e Leiradas entre Cadafaz e Candosa- possivelmente uma em Capelo. Foi aplicado em parte, mas os incêndios, matos etc.
(Continua… Cadafaz, 2018
in O Varzeense de 15/02/2019

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Folhas Soltas de Cadafaz por A. Silva


1)Apenas, porque gosto de recordar e transmitir o que vou descobrindo acerca da aldeia de Cadafaz, que me viu crescer e criar raízes de amizade, embora não tivesse familiares diretos, no entanto aqui aprendi que não é preciso ser erudito (antes pelo contrário) para ver e definir a bondade dos pobres e a diferença evasiva dos mais afortunados. Também a vida no campo e a dos que tentavam recorrer á cidade na esperança de amealhar alguns cobres sabe Deus como, e onde o retorno à terra que os viu nascer não os modificava pelo contrário na sua mente vinha o anseio de criar novas formas de vida na aldeia que até então eram desconhecidas. Assim compreendi que só com empenho, cooperação, amizade e honestidade se conseguem as bases do mérito humano, para o próprio e para os seus semelhantes. Tudo isto foi certamente alargando as amarras do “Antigamente” pois segundo nos contavam os mais idosos também aqui se fez sentir o peso do Clero e Monarquia, sobre os infortunados servos da gleba. Porém, passados tempos conturbados da Republica as comunidades passaram a ter mais liberdade e Cadafaz foi beneficiado pelos seus filhos, Homens e Mulheres corajosos adquirindo poder e meios essenciais para todas as povoações da Freguesia. Infelizmente foram partindo, e decorrido poucas décadas interrogamo-nos! Cadafaz, que te aconteceu? Sei que eram pessoas notáveis e influentes, os poucos que foram ficando não conseguiram suster o teu legado e, assim fomos sendo privados de tudo o que restava de útil há sua comunidade. Por ultimo a Sede da Junta de Freguesia de Cadafaz, (embora não fosse a mais pobre de eleitores, na data mas se ... União traduzia poupança e mais cooperação humana, algo está falhando à qual se vai juntando a Paróquia também bastante “tremelicante” o que se tornou previsível com as separações de atividades religiosas nas comunidades. Enfim, vai penando o galo da Torre puxando os pesos do relógio e por vezes o som lúgubre dos sinos da igreja. Infelizmente poucas vezes tem havido uma luz favorável ao fim do túnel quanto à ideia do aproveitamento de bens que a natureza concede fossem materiais, paisagísticos ou elementares à comunidade etc. Aliás projetos houve que após dado o seu conhecimento eram postos logo entraves pois tratava-se de Cadafaz, a verdade é que o \ azar, continua.- Alguém ainda recorda o Sonho do Cadafazense Fernando Simões Folgosa? (Escreverei sobre ele num próximo artigo) O Sonho de Virgílio Nunes dos Reis sobre o negócio Eólico e a casa do Castelejo, a estrada da Selade do Braçal etc. Também o do Sr. Eng°. Carlos Pimenta Araújo quando se deparou com os inexistentes serviços de saúde na freguesia e a distância a percorrer em situações graves ou não. Nem sequer o Badalado Lar da Freguesia mereceu o nome da Padroeira. - Enfim oxalá que o Futuro seja menos ingrato para as aspirações dos nossos Jovens da União Recreativa de Cadafaz. Que afinal tentam ainda “acordar os esquecidos” e prometidos a quem de direito. E visitar os conterrâneos “perdidos”.
- Mas a razão do meu artigo é dar início a um pequeno resumo sobre os princípios da Junta de Freguesia de Cadafaz:- Como se sabe a Junta de Paróquia da Freguesia de Cadafaz tal como as outras, era a única Entidade administrativa até a Lei da Separação Igreja - Estado (20-4-1911) pós a Implantação da República. Foi alterada em 23-2-1917 e após tempos conturbados, muita coisa modificou e em várias datas.
No que se refere a Cadafaz, tivemos o privilégio de encontrar em jornais publicados há anos alguns dados sobre a função da então Junta de Freguesia, referente ao ano de 1934 e creio que seria das primeiras sessões, então Comissão Administrativa da Junta de Freguesia de Cadafaz: -PRESIDENTE - Luís Gonçalves de Almeida - Corterredor. TESOUREIRO - Luís das Neves - Tarrastal. SECRETÁRIO - José Maria Alves Martins - Cadafaz. Logo de início houve que verificar, o orçamento: 339$74= Despesa= 319$30, foram feitos os pagamentos:- Manuel Henriques de Almeida por regular o relógio da Torre, a Guilherme Gaspar Alves, sacristão a Joaquim Almeida 14$00 por limpeza do cemitério e 10$00 a cada professora das Escolas da Freguesia, que estavam todas em funcionamento. - No ano seguinte repetem-se as mesmas despesas, além de 40$00 para ajudas dos alunos nos livros e papel. Em virtude dos temporais que fizeram grandes estragos nesta zona foi preciso fazer reparos que pós publicação em diário do governo foi concedida a verba de 45.000$00. Assim distribuída Cadafaz, 10.000$00 – Candosa, 3.000$00 - Capelo, 2.500$00 - Sandinha, 3.500$00 - Cabreira, 5.000$00, e para uma estrada destruída 1.500$00, alem das pontes uma em terra no Tarrastal, 6.500$00 outra de madeira 800$00, e a ponte do ..\ Corterredor, 1.000$00 igual quantia para a calçada próximo do cemitério em Cadafaz. Em 1936, os habituais pagamentos mais 10$00 à professora D. Florinda para ajuda dos alunos pobres da freguesia.
NOTA: As verbas adquiridas eram normalmente da venda em haste pública de Cepas, taxas, jeiras a que o povo estava sujeito, ou magras comparticipações.
Em 1937, começam a ser passados os primeiros atestados de residência para casamentos nesta Freguesia (embora eu tenha verificado que a Instituição do registo obrigatória fosse em 18-2-1911,) que consta do seguinte:” Manda-se encerrar os Livros do Registo paroquiais tornando obrigatório a inscrição do registo civil dos factos essenciais relativos ao indivíduo e á família e á composição da sociedade, nomeadamente dos nascimentos, casamentos e óbitos”. Nota Curiosa - Menciono o nome dos primeiros Atestados (porque tive a sorte de ainda conhecer alguns dos nubentes!...1937- Manuel Almeida Nunes e América Patrocínio Almeida – Candosa - Luciano Neves Barata e A? Neves - Cabreira - Manuel de Almeida e Maria Deolinda Nunes - Cadafaz - 1938 – Raul Alves das Neves e Mª Patrocínia Neves – Cabreira - José António Brás e Ma Prazeres Martins - Cadafaz- José Maria e Maria Silvéria - Relvas (...)
Em 1938/40, houve mudança de elementos da Junta e com a presença do Reverendo Padre André Almeida Freire, como representante do Presidente da Camara Municipal de Góis segundo o Art.° 204 reuniram os cidadãos Gregório Martins dos Santos - Augusto Silva - José Maria Alves Martins – Casimiro Rodrigues Alves - Manuel Francisco Jorge e Joaquim Alves Muro. Feita a eleição: Pres. Gregório Martins dos Santos, Capelo -Tesour. Augusto Silva-Sandinha (foi substituído por Casimiro Rodrigues Alves, Cabreira- 11-9-38 para se ausentar para o estrangeiro- Secretário José Maria Alves Martins, sendo substituído em 23-10-38, por ter sido nomeado Encarregado do Registo Civil de Cadafaz sendo substituído por Manuel Francisco Jorge de Cadafaz. - Houve arrematação de cepas 3.050$00 e 9.300$00 (Cont.).
Cadafaz, Dezembro 2018

in o Varzeense de 15 de janeiro de 2019

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Folhas Soltas de Cadafaz por A. Silva


Temas e Problemas
Seria Milagre de Santo António?

A verdade é que alguns dias antes da sua festividade verificamos a grande azáfama na via entre Cadafaz e Candosa e inédito desta vez não era o habitual “tapa aqui tapa ali,” mas sim a tão ambicionada cobertura de alcatrão. Julgo que a primeira desde a sua construção em 1981/82 na mesma altura em que foram feitas as pontes novas de ligação entre Candosa-Colmeal e Tarrastal - Cabreira. Foi uma época em que a Junta de Freguesia funcionou em pleno criando serviços e obras com bastante mérito.
Em relação à via presentemente beneficiada, talvez fosse altura de mudar para outra via ou estradão a passagem dos grandes veículos de transportes de madeiras, inclusivamente o trajeto atual passa em parte da povoação numa zona bastante estreita sem bermas sendo um local perigoso. Caso contrário também o serviço e dispêndio feitos pouco tempo vão beneficiar afinal os residentes e o trânsito automóvel. Oxalá que para completar o alindamento da via sejam repostas novas placas ou recuperadas as existentes.
Também as estradas vicinais ou carreteiras e atalhos e fontes em redor da povoação (julgo que de competência da União de Freguesias, pelo menos assim mencionadas no programa) estão intransitáveis, ainda não viram uma única limpeza, situação que nos leva a impedir de circular ou até tratar os pequenos canteiros. Onde está afina o exemplo da Limpeza? Não devia também esta ter em atenção os acessos em redor da povoação?...
Cadafaz não merece estar a ser uma povoação quase incógnita claro que o tema é sempre o mesmo, falta de comunidade e portanto “não se justifica” fazer algo em prol dos ainda residentes ou visitantes.
Creio pessoalmente ser um prognóstico desolador e desajustado para mentes modernas e futuras. Primeiro porque estamos ainda hoje a beneficiar de bens comunitários como a luz, a água ao domicílio, estradas, obras implantadas há varias décadas e com tanto sacrifício monetário e humano. No entanto, os seus pioneiros tinham a certeza que não seria só para enquanto eles vivessem mas sim para o futuro dos vindouros... Esta seria uma razão para os seus descendentes pensarem numa continuidade futura e não no abreviamento do declínio. Aliás tem esta povoação, tal como tantas outras, uma grande parte das suas gentes espalhadas por vários pontos do País e não só, alguns dos quais quem sabe se um dia não gostariam de regressar às origens. Mas por esta ordem de iniciativas, sem incentivos, não ficam felizes com o que se lhes depara.
Verificamos nas notícias da imprensa que o nosso Concelho é constantemente centro das mais variadas atividades e visitantes, o que de alguma forma devemos elogiar, mas o Concelho não se limita ao perímetro em redor da Vila, é também todo o resto que ainda tem comunidade e de alguma forma contribui com os seus impostos inclusive os muitos idosos. Por que não sair de Paço incluindo e mostrando o que se passa nas povoações para além do alcance dos montes e vales...
E aqui vejamos o que ainda se está a passar em relação aos fogos com as pessoas quase a pedirem uma esmola dum bem que tem direito. “Infeliz- mente as promessas fazem parte de um coro triste e desalinhado retirado de pautas anteriores só para revelação de campanhas eleitorais”.
Concluindo: Para que nem tudo pareça perdido, há a salientar a continuidade das festividades religiosas em Cadafaz de veneração a S. José, em março, com a celebração de missa. - Na Sr.ª de Fátima com missa Procissão e leilão - Corpo de Deus em maio com a Procissão, onde não faltou a habitual passadeira de flores e verdura - O Sagrado Coração de Jesus com missa e em 17 de junho o Santo António com missa e leilão, felizmente ainda se juntou um razoável grupo de presenças. A cerimónia foi celebrada pelo Senhor Pe. Pedro que confraternizando em conjunto com a exígua comunidade deu mais realce e boa disposição. Inclusivamente houve hipótese de verificar e relembrar a possível execução do trabalho de restauração do teto e retábulo da Capela de Santo António, uma relíquia do sec. XVI. Deus queira seja uma realidade.

in o Varzeense de 15.07.2018

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Folhas Soltas de Cadafaz por A. Silva

Cadafaz de Outros Tempo - Parte II 
Alguém ficou admirado em referência ao meu artigo anterior sobre Cadafaz de Outros Tempos, por apenas ter mencionado duas visitas importantes recebidas em Cadafaz, não mencionando a presença do Ex.° Senhor Eng.° CARLOS MARTINS, Secretário de Estado do Ambiente. Compreende-se a dúvida para quem não conhecia o nosso prezado Cadafazense.
A verdade é que para esta comunidade de Cadafaz não é uma visita mas sim algo mais significativo, um Familiar, Amigo e Grande Regionalista, visto que todas as suas raízes são desta localidade. Desde muito jovem que percorreu ruas e vielas, passava férias, participava em todas as ações regionalistas, tal como os seus progenitores. Aliás, os seus escritos, cujo título era “Escrevinhando num Jornal da Juventude” já era demonstração de querer seguir um pouco mais além. A sua simpatia, personalidade e saber decerto o enveredaram para o cargo que presentemente ocupa. Oxalá que o seu percurso seja um sucesso repleto de iniciativas profícuas e duradouras.
Certamente que, hoje, tal como nós, fica impressionado, ao ver a povoação que conheceu e a atual... mas, o Ditado “Santos da Casa não Fazem Milagres” nem sempre correspondeu à realidade Se recuarmos um pouco no tempo, verificamos que foram os Homens de Cadafaz que com as suas ideias, trabalho intensivo e contribuição moral e material conseguiram concretizar os seus objetivos a favor da comunidade outrora numerosa. Daí que, quem sabe se ainda será a tempo desta estagnação e falta de fé presente se desvanecer graças aos HOMENS com IDEIAS positivas num futuro próximo!

VISITA PASCAL EM CADAFAZ
Não me irei alongar já que a notícia e fotos sobre a Visita Pascal em Cadafaz já são de domínio público, graças ao trabalho da nossa Paula. No entanto, só posso acrescentar o meu caso pessoal. Mesmo triste, fiquei feliz com a presença do nosso também conterrâneo Padre Pedro Fernandes e das suas palavras de Coragem, Fé e Esperança. QUE DEUS O AJUDE A SEGUIR O CAMINHO QUE ESCOLHEU e OBRIGADA.


in O Varzeense de 15 de maio de 2017

domingo, 9 de abril de 2017

Folhas Soltas de Cadafaz por A. Silva

Cadafaz de Outros Tempos
Era sempre um prazer receber um visitante na sede de Freguesia, quer fosse amigo, conhecido ou não, a comunidade transformava-se numa ampla casa de família, cada qual oferecendo o que lhe fosse possível e da sua lavra, ou apenas e só o dom da simpatia.
Nos últimos tempos tivemos o privilégio da visita de dois ilustres e importantes figuras do País, o que nos enalteceu, pois já nos parecia quase impossível haver alguém que recordasse “Cadafaz existe”. A primeira foi o Ex.° Senhor Comendador Rui Nabeiro, pessoa de grande merecimento e distinção. Mas aqui segundo constou algo falhou se por desconhecimento de presença ou desunião. A verdade é que não lhe foi prestada uma simples mas insigne lembrança de homenagem pela sua passagem por Cadafaz como seria lógico.
Já com a visita de Sua Eminência D. Virgílio Antunes, Meritíssimo Bispo de Coimbra, embora com aviso de pouca antecedência aos paroquianos pela entidade responsável, foi possível o contacto com familiares ausentes, e foi com alguma satisfação que ainda se juntou no Largo de Santo António cerca de 40 pessoas, para uma muito modesta mas sincera receção ao Senhor Bispo. Creio que todos ficamos felizes com a sua presença, não só como representante da Igreja de Cristo, como pelo seu dom de comunicação e simpatia para com todos os presentes, cujas palavras e gestos foram de conforto e de esperança,  para quem já pouco tem e espera. - BEM- HAJA SENHOR BISPO / BENÇOADA MISSÃO/ CONCEDEU A PAZ DE CRISTO/MAIS JUNTO AO CORAÇÃO.
- Mas, algo nos surpreendeu a inesperada exclamação ou surpresa do Senhor Padre Carlos ao chegar ao largo de Santo António” Tanta gente mas... não são de Cadafaz” o que comprova o desconhecimento e relação com os seus paroquianos. Talvez porque não só dividiu a Paróquia já de si carente de fiéis, como nunca passou a Visita Pascal em Cadafaz altura em que a maior parte dos cadafazenses, familiares e amigos estão presentes, abrindo as portas e contribuindo com a sua dádiva inclusivamente o desconhecimento de Capelas como é o caso de Na. Sra. Do Desterro..


in O Varzeense de 30 de março de 2017

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Folhas Soltas de Cadafaz Por A. Silva

Um Tema Atrasado Mas... Atual
Continuar a recordar as antigas Colectividades e os seus pioneiros, creio que faz parte do nosso sentimento e obrigação, não só porque ainda tivemos o privilégio de conhecer alguns deles, como assistir e beneficiar dos seus exaustivos esforços e percursos na expectativa de irem sempre conseguindo obras de utilidade comunitária e imprescindíveis quer nas suas aldeias quer em toda a freguesia e assim todos em conjunto fossem desta ou daquela povoação se integravam em igualdade de ideias, projetos e entre ajuda e onde não faltavam os convívios, excursões e outros meios de aquisição de verbas para a coletividade. Atualmente o modo de pensar parece não ser exatamente o mesmo, talvez por essa razão vamos assistindo ao desaparecimento de grande parte dos seus trabalhos de mérito sem que se tenha tentado fazer mais ou melhor ou apenas conservar, resta-nos a disparidade de ideias onde os feitos não contam em igualdade para todos.
E, ao mencionar as Colectividades, referir-me-ei à nossa União Recreativa de Cadafaz embora com alguma tenuidade vai fazendo por dar eco não só à própria entidade como demonstrar que Cadafaz ainda existe e faz parte do Concelho de Góis, embora na realidade não pareça... O evento Festival das Sopas levado a cabo pela primeira vez em 2013, pelos nossos Jovens da União Recreativa, não teria tido de início a afluência desejada, talvez por ser uma novidade, no entanto não desmoralizaram e a ideia ou imposições pessoais da sua expansão pelas restantes povoações da freguesia foi uma ação aplausível não só como elo de confraternização como demonstração de dotes culinários. No entanto, não posso deixar de refletir: - Teria qualquer outra Coletividade procedido desta maneira em relação a Cadafaz? Duvido, tal é a desintegração que nos últimos anos se verifica. Aliás, penso que inclusivamente talvez não fosse impossível promover algo em que as Colectividades da União de Freguesias Cadafaz-Colmeal se integrassem num conjunto de confraternização, embora com temas variados. Seria bom refletir um pouco mais na sensibilidade das pessoas porque ninguém gosta de ficar esquecido, e esse será certamente um dos fatores que foi ou será pouco esclarecido para mais tratando-se de populações tão reduzidas.
Porém, a União Recreativa de Cadafaz deu início a um bom exemplo e creio que talvez consigam vincar um pouco mais e ir mais além, cooperando com outras coletividades, mesmo fora da União de Freguesias, em projetos e iniciativas, este era também o lema da antiga Liga de Melhoramentos da Freg.de Cadafaz, segundo os documentos que nos deixaram. Outra situação a definir é que os sócios não sejam só, para o pagamento de uma quota, segundo os estatutos parece haver algo mais de informação e ou cooperação, visto tratar-se de funções sem fins lucrativos, será essencial a entre ajuda dos associados e relevância dos seus orientadores.
NOTA: Penso que o Parque no Carreiro foi obra da União Recreativa... mas, passados vários anos a obra está por terminar ao verificar- se que no primeiro espaço do lado esquerdo onde está implantado um busto de alguém que tanto se interessou pela União e pela sua terra Cadafaz portanto merecedor de todo o nosso respeito, não é admissível o aspeto de desperdícios e não só junto ao muro. Será muito dispendioso o acabamento do muro com grade, ou parede? Aqui fica o meu apelo na tentativa de que se dê uma melhor imagem não só a este local como às restantes entradas da povoação visto que todas “primam” pelo aspeto degradante de desarrumação e variedade de objetos.
Cadafaz, agosto 2016


in O Varzeense de 15 de outubro de 2016

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Folhas Soltas de Cadafaz Por A. Silva

Memórias e Desilusões
Não creio que os Cadafazenses sejam supersticiosos, mas que parece existir algo de desdita em relação a esta povoação é uma hipótese que nos faz meditar! Não porque tenham faltado ideias progressistas com conhecimento, valor e boa vontade, porém, se algumas chegaram a ser concretizadas, foi porque foram geridas por grandes valores humanos com igualdade de ideias, isto há algumas décadas. Mas mesmo assim quantas eram abafadas ou relegadas para outros locais, o que atualmente mais se acentua porque a influência é superior ao rigor e até às necessidades existentes ou prementes nesta ou naquela povoação.
De vez em quando releio os meus apontamentos já publicados, recordando as Memórias e Desilusões de que tenho tido conhecimento em Cadafaz. E, mais uma vez, mencionarei algumas das que ainda estão por concretizar passado tantas décadas, terá sido pouca sorte ou confiança demais. Vejamos por exemplo:
1) A estrada em terra batida de apenas 6 Km. Cadafaz - Selade do Braçal, que bastante beneficiava a povoação no acesso à Pampilhosa da Serra e não só. Constou que tinha sido atribuída uma verba há alguns anos para o alcatroamento. Que terá acontecido para que a situação se mantenha na mesma? Mais tarde o então Presidente da Junta de Freguesia tentava adquirir esse benefício quando da implantação das Eólicas mas já não conseguiu e os elementos que se seguiram nada fizeram.
2) - Um Museu em Cadafaz, sonho do Tenente Coronel Américo Alves Martins, infelizmente já não o conseguiu concretizar e a ideia continua no esquecimento.
3) - Centro de Dia e Lar em Cadafaz - fizeram-se reuniões, peditórios angariações de várias espécies, gastos em obras bastante significativas mas o LAR que era para ser em Cadafaz foi sendo pouco a pouco relegado para outro local, com ele desaparecendo também o serviço de apoio centrado na povoação.
4) - Com grande destaque surgiu em 2009 a ideia de uma Confraria do Cabrito e da Castanha com sede na Freguesia, depois de alguma propaganda e festa a engalanar a ideia que era genial como muitas outras que não dão em nada foi seguindo leve levemente até que desapareceu da freguesia de Cadafaz, mas sim a proclamação na sede do Concelho?
5) - Em 2005 o problema de acesso à rede da PT era quase um milagre depois de vários apelos para resolução, ficava sempre em nada resolvemos em 2012/13 pedir as entidades representantes da Freguesia a possibilidade de colocação de um poste de Rede Móvel. Porém, as várias reuniões, opiniões e sugestões mesmo com a vinda de um técnico, graças a um conterrâneo que particularmente se interessou e mais... a oferta de outro com um terreno para a implantação do mesmo. O certo é que a falta de empenho das entidades representativas e associativas, os custos elevados e a opinião de que só beneficiava esta povoação sem sequer ter sido decidido o local mais adequado, levou a que nada fosse feito até hoje, como se esta comunidade, na maioria idosos, não tivesse direito a um benefício de grande utilidade e acompanhamento mais que justo, para mais estando a povoação a suportar os inconvenientes ruídos, das Torres Eólicas. Sabendo-se que os proventos materiais e industriais da freguesia não surgem nas margens do Ceira. E, se em 2015 conseguimos obter para quem pode adquirir os serviços da Fibra Óptica mesmo sem acesso a rede móvel, foi por intermédio de alguém que particularmente se interessou. Já que pelos nossos representantes parecia que Cadafaz não fazia parte do programa para beneficiários das novas tecnologias. Mas no entanto houve informação que foi recentemente colocado um poste de Rede Móvel numa das povoações da freguesia de Cadafaz. E interrogamo-nos quantas povoações afinal ficaram abrangidas por este serviço? Não estou de maneira alguma a tentar criticar as comunidades que se unem e tentam adquirir bens necessários ao seu bem estar só é menos humano que a intervenção das Entidades não seja íntegra em igualdade de benefícios a todos os munícipes ou fregueses já que esse processo se aplica em igualdade quanto a taxas, taxinhas, sobre taxas e impostos. Porém, não nos sentimos infelizes já que Cadafaz continuará a ser aquilo que os seus antepassados ensinaram benevolentes e caridosos. Apenas lamentamos situações que deviam ter um pouco mais de atenção como por exemplo os muros de resguardo às bermas e vias de Cadafaz que se encontram em péssimo estado de conservação. Embora tenha sido notícia que a Câmara pensou, decidiu e aprovou um empréstimo para melhoramento da rede viária. Também vou renovar um pedido já feito à União de Freguesias ou seja, a colocação e conservação das placas informativas não só a quem se encontra à entrada de Cadafaz, próximo do cemitério, como a do cruzamento de indicação Cadafaz-Tarrastal-Corterredor- Folgosa, mereciam um aspeto e suporte diferente, inclusive, aqui também seria importante a indicação de acesso à via nacional n°2, Pampilhosa-Lousã. Outra das situações que nos parece estar em vias de regressar é o uso de lanternas para circular nas ruas da povoação de Cadafaz, tal é o horário de acender a iluminação pública, ou seja, depois de escurecer já há algumas horas, embora esta situação já tenha sido alertada pelas entidades competentes, só mencionaram duas povoações. Será poupança? Ou mais uma demonstração do acompanhamento solidário aos idosos nas aldeias. E aqui mencionarei um Titulo de destaque publicado em 3/3/16 “Idosos de Góis Vivem Menos Isolados com o Acesso ao Serviço de Teleassistência Domiciliária”. Claro como tantos outros só a publicação do serviço não nos alegra... Como e onde funciona tal serviço de assistência? Outra situação que nos parece menos eficiente é o conhecimento do teor da qualidade da água da rede pública. Não seria possível a afixação dos resultados nos serviços ou Placard da União de Freguesia. Visto que é também um assunto de interesse publico e que nem todos tomam conhecimento já que estes dados só se encontram afixados no Centro de Saúde-Góis.
Notamos que a primazia ou idoneidade em referência a Cadafaz está posta em causa, daí a inobservância a que estamos submetidos, mesmo verificando-se que esta povoação quase sobrevive (mais de metade) com pessoas que não são naturais da povoação e que foram atraídas por pessoas e serviços prioritários que lhes têm sido retirados. É caso para pensar, afinal o que nos prende a um local onde só contamos como contribuintes... Será que as Memórias do Passado nos ajudam a ultrapassar o Presente?

Cadafaz, agosto 2016

in O Varzeense de 30 de setembro de 2016

sábado, 25 de julho de 2015

Folhas Soltas de Cadafaz por A. Silva

A PRIMAVERA E AS FLORES
Apesar dos vários contratempos do organismo humano que esta estação nos pode trazer, não há dúvida que é uma altura do ano em que a força da natureza, nos comtempla com as mais bonitas e variadas flores. É agradável percorrer as Aldeias e verificar que mesmo quase desabitadas, há sempre um jardim a saudar-nos. Sabemos que em épocas passadas não era tão vulgar esta situação, visto que todos os recantos eram necessários para os arrumos e, a plantar seria uma árvore de fruto, videira, figueira ou outra. Também era normal os animais circularem nas ruas, havia grandes rebanhos. Porém, para as ervinhas de cheiro como salsa ou hortelã, havia os poiais nas janelas, dando por vezes lugar aos manjericos e papagaios. Hoje esta situação não existe, e seria bom que houvesse mais incentivo no embelezamento dos recantos ou locais próprios para tal, como por exemplo nesta povoação o Largo de Santo António onde a colocação de dois bancos e umas floreiras dariam melhor apresentação e criatividade. Ao mesmo tempo inimizando as ervas que tentam ocupar o espaço que nos era reservado. E aqui recordarei que nos anos 1975/1997 surgiu uma feliz iniciativa nesta povoação, pela então Junta de Freguesia que mediante exígua importância arranjou alguém para a limpeza das ruas, varrer e limpar as ervas. Mas como tudo o que é benefício comunitário tem acabado... este também. Não sei até que ponto seria mais dispendioso se este método ou a vinda de uma equipa duas ou três vezes por ano com todo aparato de maquinaria superficial e passado poucos dias, as ervas nascem mais fortes. Aliás parece que o Carrinho e Vassoura ainda não desapareceram em todo o lado!


NOTICIAS RELIGIOSAS DE CADAFAZ
No dia 17 de maio foi celebrada, nesta paróquia, a festividade em honra de Nossa Senhora de Fátima, com a Palavra, procissão de velas e leilão. No dia 7 de junho foi a celebração em louvor do Divino Espírito Santo, com Missa e procissão. Como habitual foi feita a passadeira de verdura e flores da Igreja ao Largo de Santo António.
No dia 13 de junho, também em louvor a Santo António, foi celebrada Missa na Capela, pelo Sr. Pe. Carlos, após a qual houve leilão e um pequeno lanche com as ofertas leiloadas.


in O Varzeense de 15 de julho 2015

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Folhas Soltas de Cadafaz por A.Silva

Um Roteiro da Nossa Aldeia - Cadafaz

Creio que uma grande parte das povoações rurais, não eram identificadas com placas· toponímicas, nas ruas quelhos ou becos. Apenas sendo conhecidas consoante a configuração do local, no Cimo ou no Fundo do Lugar, pelo nome do morador ou antepassado, como referência da profissão ou algo histórico como Torre, Adro, etc. A certeza porém é que tudo e todos eram conhecidos, quer do local habitacional como circunvizinho. Cadafaz não era exceção pelo que as ruas principais só passaram a estar identificadas após os Melhoramentos Rurais em 1940. A partir dessa data tem havido continuação com as placas alusivas aos Regionalistas Homenageados, graças ao preito de gratidão dos que lhes sucederam. E aqui será de salientar que passados 75 anos a povoação continua sem número de polícia nas habitações, o que tem dado a situações difíceis, na medida em que cada vez menos se encontra, alguém que dê informações.
Mas, regressando ao tema inicial e apenas como mera curiosidade tentarei fazer mentalmente um itinerário pelos nomes dos locais do Cadafaz que ainda conheci. Embora com saudade, sinto alguma felicidade por ter conhecido, inúmeras casas repletas de gente. Atualmente algumas habitações já não existem pela inclemência do tempo ou do Homem, mas também outras tem sido recuperadas e modificadas. Dos seis, Largos alguns foram ampliados é o caso do Largo do Adro, Santo António, Volta do Carro e Porta Clara. Vamos então ao restante passeio tendo como ponto de referência os Portos e o Largo de Santo António: Portos, Piçarras, QueiroaI, Covão, Cancelinha, o Gil, Largo da Eira, Torre do Relógio, Largo da Volta do Carro, Lombo, Quelho da Venta, Largo do Adro, Barroca Portal, Fundo, Cortinhal, Pireiras, Largo da Porta Clara, Largo dos Pátios, Largo de Santo António. Consta de uma rua principal e 4 secundárias, quanto aos acessos (quelhos) entre as habitações, são cerca de 20. Tendo sido recuperados, pelo falecido Presidente da Junta Virgílio Nunes dos Reis. NOTA: Como acima mencionei algumas destas ruas já estão identificadas. Quanto aos conjuntos habitacionais, designaríamos hoje nalguns casos como Bairros, no caso do Queiroal, Eira ou Fundo, cujas construções de um só piso e lojas com paredes largas de xisto e telhados de lousa, que nos fazem pensar onde e como se acomodavam as suas numerosas famílias. No entanto também existiam já grandes edificações com pátios (cerca de 11). E... se a minha agenda pessoal não me falha ainda conheci cerca de 60/65 casas habitadas a maior parte com o seu forno de cozer o pão de milho aliás próximo da povoação teria havido dois moinhos um dos quais ainda o vi a funcionar, tal com o Lagar de azeite nos Portos. Infelizmente nada nem ninguém os tentou preservar, antes pelo contrário. - Penso que os meus amigos Cadafazenses e leitores do nosso Mensageiro O VARZEENSE, me acompanharam neste pequeno mas histórico percurso onde as recordações são de um passado, não muito distante. Se acaso houve faltas, agradeço o vosso esclarecimento.
- Como final do meu artigo não poderei deixar no esquecimento uma agradável notícia até porque já são tão poucas e ... raras, Cadafaz já tem Fibra Ótica: - Sei que foi um precioso tempo de espera... Sei também que parte dos atuais residentes, não podem usufruir de tão moderna Tecnologia. Mas pensamos nos nossos Jovens, eles saberão beneficiar e aproveitar com responsabilidade, um tão valioso meio de informação e pesquisa.
Não sei qual ou quais as Entidades ou Amigos que intervieram na concretização deste benefício. Pelo que pessoalmente expresso os meus respeitosos agradecimentos.
Oxalá a rede móvel seja também uma realidade.

 in O Varzeense de 30 de Abril de 2015


quinta-feira, 16 de abril de 2015

Folhas soltas de Cadafaz por A. Silva

Conversando Com as Frases

E porque não com a frase: Proximidade, actualmente tão difundida entre nós, quer servindo de elo de eloquência quer como tentativa de algo que se pensa atenuar ou compensar. Mas, possivelmente nem sempre será bem compreendida, isto porque além de ser atrasada no tempo e no espaço é muito mais na reabilitação humana. Pelo que creio ser impossível designar como proximidade situações reais que deixaram de existir em pleno e verídico, pior ainda quando imperou a incoerência, insensatez e a pouca credibilidade, ou seja deixando as comunidades mais carentes isoladas e sós. Aliás esta situação tem vindo a degradar-se há cerca de 10-20 anos. Sabemos que a culpa pode ter influência no desaparecimento das pessoas mas nem só. Sabemos que os jovens, não tem interesse e muito menos incentivos próprios ou de quem os devia ou podia ajudar. Sabemos também que neste período de tempo nada se fez – salvo como solução mais fácil e rápida retirar todos os serviços de utilidade pública, social, burocrática e até quase a religiosa. Como já tenho mencionado várias vezes:
Tinha esta Freguesia (à data freguesia de Cadafaz) 4 escolas de ensino primário, 1 Posto de Registo Civil, com Regedor, Posto de Correio PCTF. Um Posto Extensão de Saúde, Junta de Freguesia a funcionar em pleno, além dos cerca de 8 estabelecimentos comerciais, profissões de caracter rural, etc.
Hoje que nos resta?... Tudo tem desaparecido, até os mais prioritários, como o Posto Médico, enquanto outras zonas, mais próximas da sede do Concelho, lutam pela sua continuidade. Em Cadafaz há quanto tempo deixou de funcionar?
Falando do correio, até a Caixa de Recepção foi retirada. Não falando de todos os outros que deixaram de funcionar ou foram para outros locais. Perante a situação presente pensamos ... que será  afinal a função de proximidade? Pessoalmente e talvez, devido ao tempo de espera e idade só a posso traduzir para uma realidade triste e a que estamos assistindo - juntar ou aproximar - os poucos residentes naquilo que por muitos consideram "gaiolas" onde até os pássaros deixam de voar e, apenas vão tentando arrastar os pés. E mesmo assim é necessário ter hipótese de pagamento.
Em resumo, sei que estou só e apenas a conversar com as frases, tentando relembrar todos os pioneiros, que isentos de políticas mas sim com humanidade, coragem e cooperação mútua, fizeram de Cadafaz e restantes povoações, não uma Vila ou Cidade mas antes proporcionar-lhe, dentro das suas possibilidades, todos os meios de bem estar geral. - Mas, Jesus disse: "Perdoai-lhes meu Pai, que não sabem o que fazem". Eu acrescento: Nem sequer o País que deixam.

in O Varzeense de 15 de março de 2015



sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Folhas Solta de Cadafaz por A. Silva

Os Antigos... Nós... E a Realidade

- Diziam os Antigos:
- Recordo ouvir estas frases e ficava calada, embora com algumas dúvidas, hoje noto a realidade e penso. Já não ouço os Antigos, já não ouço muitos dos que, os ouviram e pior ainda, já nem sequer encontro respostas para as minhas dúvidas. A realidade, é que a sabedoria dos Antigos, obtida através dos tempos, apenas nos queria ensinar ou avisar. E aqui o saber ou o conhecimento não tinha a ver com o ser pobre ou rico, o mundo é composto pelas duas situações. Há pois que trabalhar e poupar para viver entre as duas. A riqueza é um inimigo devorador que também se propagou em Portugal, onde as novas ideias, imitações estrangeiras, opulência, e o trabalho sem esforço, foi a pouco e pouco, degradando as pessoas e com elas este pequeno paraíso, foi seguindo um caminho enganador onde as pepitas que não vinham do Brasil nem sequer do trabalho dos escravos, se desvaneceram em pura e real ilusão em poucos anos. E, agora qual o futuro dos portugueses e dos nossos jovens. Se o seu próprio país está em saldo! Tal como os territórios antes conquistados pelos nossos antepassados que foram sendo perdidos, também este que resta parece seguir o mesmo destino. De alerta estão os Espanhóis que nunca nos perdoaram este cantinho à beira Mar, tal como os Ingleses, Franceses, Alemães aos quais se juntam Japoneses e Chineses E... quem sabe se não, aparecem ainda os Extraterrestres? Com tantas viagens à LUA?
CONTINUANDO O TEMA REALIDADE:
Para quem visita ou reside nesta povoação, (margem esquerda) toma-se difícil compreender, como é possível tal diferença de cuidados de limpeza ou manutenção de serviços entre esta e outras localidades do Concelho. As vias utilizadas, tem metade do asfalto tapado com a vegetação dos lados, as bermas perigosas, os muros feitos há anos, quase destruídos. Concluindo perigo espreita o automobilista e pior ainda ao deparar com camiões industriais em curvas que mal dão para outros carros. Gostaria de saber qual a autoridade que compete verificar as situações de utilização e conservação das mesmas. O que se sabe é que quanto a danificação de transportes municipais ou outros, pagamos todos nós contribuintes. Quanto a transporte particular imprescindível num local em que não existe qualquer outro meio de solução é o próprio a pagar pela desatenção de quem de direito.
OUTRA REALIDADE:
É a zona envolvente das casas, embora muito se tenha falado, sobretudo no perigo de incêndios mas... vem o verão e a situação continua. Já não falando na diversidade de objectos que se encontram a cada canto. Sabemos que todos os espaços de cultivo tinham dono mas... hoje onde está?  já faleceu, e a família, não sabe onde é, ou até estará ainda em nome de D. Afonso Henriques ... Tudo pode acontecer e poderá ser pior se não forem tomadas providências. Claro que em caso de incêndio o prejudicado é sempre o que não tem culpa. Não poderia esta ser uma das iniciativas e ajuda da parte dos Compartes dos quais todas as povoações deviam usufruir de benefícios em igualdade e não apenas algumas... Nem que fosse a titulo provisório ou uma vez por ano. Sabemos que ainda há pouco fizeram limpeza nos estradões. Para... servir ou acudir a quem? Quando é aplicada a versão de "as pessoas estão primeiro", É caso que dá para pensar.
Mas nem tudo é triste se de facto é realidade.
 - Segundo notícia publicada nos nossos jornais regionais e referente a determinada povoação da União de Freguesias Cadafaz Colmeal, sobre uma obra a efectuar (PELA SEGUNDA VEZ) por eficiência da engenharia ou gestão larga dos cofres públicos justificando a importância gasta e a gastar, devido ir beneficiar - cerca de 3 centenas de habitantes... É agradável ter conhecimento que ainda há uma povoação com cerca de 300 habitantes! Ou será este o total de habitantes da União das duas Freguesias? No caso de ser real e verificando-se uma população já com alguma idade, talvez tenha acontecido um milagre de NATALIDADE. PARABÉNS!


in O Varzeense de 30 de outubro de 2014

domingo, 15 de junho de 2014

Folhas Soltas de Cadafaz por A.Silva

  Cadafaz
  Festividades da Páscoa

  Mais uma vez, em Cadafaz, a visita Pascal foi possível graças aos paroquianos, que voluntariamente, se prontificaram a darem continuidade a tão antiga tradição. Também a palavra e a procissão como Pálio foi desempenhada pela Leiga Mensageira da Palavra, o que se vai tornando habitual visto haver normalmente uma missa por mês nesta povoação. Inclusivamente a falta de várias cerimónias que se faziam durante o ano que deixaram de ser celebradas. Talvez e segundo se anuncia a falta de clérigos mas as imagens da comunicação não nos revelam isso, antes pelo contrário. Verifica-se que é nos meios rurais que se acentua a falta ou retiram os antigos representantes das comunidades, o que vai acentuando o seu declínio. No entanto, a comunidade comparece visitando a sua aldeia e abrindo as suas casas para receber O Redentor e quem o acompanha, tal como faziam os seus antepassados, e essa ação é, com certeza, o mais puro contributo de Fé a Jesus Crucificado. BEM HAJAM os que teimam em conservar as antigas tradições, sejam elas de religiosidade ou de diversão, desde que seja preservado o respeito e património. Foi o caso da tradicional Serração da Velha.

  Serração da Velha
  Diversão bem preparada pela juventude de Cadafaz no sábado à noite. Claro que esta situação traz sempre suspense... quem será a personagem escolhida? Mas, aparece a "marrafona" e feitas as "exéquias" surge o momento solene da leitura do Testamento, e eis que a bondosa... contempla todas as pessoas da povoação e, mais ... deixando tudo isento dos maléficos impostos.

  Almoço Convívio
  Também, no mesmo dia, foi servido um almoço, pela Comissão de Festas, na tentativa de angariação de ajuda para as Festas de Cadafaz, a realizar em agosto. Decorreu com animação e bastante participação.

  Margem Esquerda do Vale do Ceira
  E por último tentarei pedir ajuda para uma situação, que já não é novidade, mas tem piorado nos últimos tempos. Certamente que, todos os automobilistas, que circulam na via Cadafaz-Candosa e Cadafaz-Tarrastal, verificam o estado em que essas vias se encontram. Já de si são estradas estreitas e com várias curvas. O corte desenfreado de árvores, incluídas as da beira da estrada, onde a ramada fica como suporte enganoso, além das bermas estragadas, sem resguardos ou ocupadas com madeiras e ainda os veículos pesados com reboques e máquinas de rasto de lagarta, proibido de circular em vias alcatroadas, por vezes no centro da via. O que torna impossível qualquer recurso na passagem. Não sei a quem compete rever tal problema? Certo é que verificando-se o bom estado da via Vale do Ceira (margem direita), tal situação não é extensiva à margem esquerda do Vale do Ceira,
principalmente nas zonas acima mencionadas. Não poderá este assunto ser revisto pelos serviços camarários antes que haja situações graves a lamentar?
  Note-se que, há cerca de um mês, a União de Freguesias de Cadafaz e Colmeal, apesar dos seus exíguos proventos, fez uma limpeza nas povoações e bermas das estradas. Porém, este trabalho não parece estar a ser respeitado por parte de alguns utilizadores dessas vias para fins industriais o que nos parece em nada beneficiar quer as zonas quer as próprias comunidades, antes pelo contrário.


in O Varzeense de 30 de maio de 2014

domingo, 5 de maio de 2013

Folhas Solta de Cadafaz por A.Silva

    MEDITANDO - Durante um Passeio dos Tristes em Cadafaz. - Uma das aldeias mais bonitas e acolhedoras do concelho de Góis. Hoje a sua aparência e realidade é de plena decadência e desertificação. Muito tem contribuído o desaparecimento de pessoas que tanta saudade e falta fazem. E assim, por incrível que pareça, ficamos entregues ao esquecimento e incúria, não parecendo haver uma razão económica para que tal aconteça, pois, a freguesia de Cadafaz não é de maneira alguma pobre de recursos e, se teve dificuldades, a verdade é que todos os benefícios de utilidade à comunidade foram adquiridos nessa mesma época, alguns dos quais que ainda hoje usufruímos como a água ao domicílio e a eletricidade, quanto a outros têm desaparecido ou estão em vias de se extinguirem.
    Que se passa afinal com as entidades representativas da comunidade? Onde está o tal órgão de proximidade? - É impossível mostrar algum ânimo sincero em relação às obras dos últimos tempos ou confiar em promessas fantasistas, onde, pura e simplesmente a falta de coordenação e a solução de situações prioritárias ou de maior utilidade vão ficando no esquecimento tal como os moradores residentes, que só são recordados de 4 em 4 anos. No restante espaço de tempo, não surge uma frase de conforto ou ajuda a qualquer situação necessária, como no caso de assuntos administrativos e outros com que cada vez mais somos confrontados e exigidos por lei e que poderiam ser minimizados se... houvesse um serviço efectivo e eficiente na povoação o que evitaria a deslocação de 32 Km, para resoluções através da INTERNET ou simplesmente uma fotocópia (embora fosse noticiado em 30-6-2011, uma inauguração de um espaço social e um serviço de acesso à INTERNET, num espaço com dois computadores, mas ... sendo normal nunca funcionou.
    Mas a vaidade e a apologia de grandes obras feitas ou desfeitas servem de base para grandes inaugurações aliadas ao discurso de ocasião em estilo de faramalha com placas de auto promoção e fotografia e assim se vão encerrando os períodos reinantes. - Sabemos que nem tudo é fácil de concretizar, pelo que, deve haver a máxima seriedade e proficiência naquilo em que se gaste verbas de todos nós, para mais na época presente com dificuldades tão prementes. Pelo que, vou mais uma vez, lembrar um assunto já com alguns anos e várias vezes debatido com as respectivas entidades, para mais que se relaciona com uma aldeia de gente idosa, na maior parte sós sem qualquer outro meio de comunicação. Para quando a colocação de Antena de Acesso às novas tecnologia prioritariamente a rede móvel, será que ainda não conseguiram compreender que os serviços da PT têm piorado sistematicamente. Este ano, de Fevereiro a Abril, desde a falta de rede a linhas trocadas, tudo aconteceu. Pelo que, é incompreensível tal insensibilidade moral de alguém que devia ter capacidade para resolver esta situação. Mas na verdade nem tudo nos falta, deve ser a povoação do Concelho com mais parques de lazer (cerca de 7) e 4 churrasqueiras.
    CONCLUINDO: - Se por acaso ler este artigo e não acreditar... venha residir em Cadafaz, verificará que estamos recuando à idade média, e, para isso, já não nos faltam os javalis, veados, coelhos e perdizes. Pelo que, resta-nos a esperança de que numa manhã de nevoeiro, não nos apareça D. Sebastião, mas talvez D. Diogo ou D. Luiz da Silveira reclamando as COUTADAS.
in O Varzeense de 30 de abril de 2013

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Folhas Soltas de Cadafaz por A.Silva

Cerimónia em Louvor do Mártir S. Sebastião
  Realizou-se, no dia 20 de janeiro, em Cadafaz, a tradicional cerimónia em louvor do Mártir S. Sebastião, que constou de missa com acompanhamento coral, procissão e a benção do bodo com os produtos habituais, pão, castanhas e vinho.
  Após a distribuição, houve um amigável convívio, oferta da U.R.de Cadafaz.
Mais uma vez, é de agradecer o desempenho do Juiz e mordomos, visto que é uma tradição que requer algum tempo e trabalho. O Mártir S. Sebastião os recompense.
  Embora já um pouco atrasado, para os que, tal como eu, não têm Blogue ou outros meios, não posso deixar também de elogiar o bonito presépio que esteve exposto no átrio da Capela de Stº António. Foi sem dúvida I uma surpresa muito agradável e significativa da época natalícia. Oxalá assim vão aparecendo jovens, naturais da aldeia ou não, com iniciativas felizes.
  -Obrigado Valdemar.

IV - O Passado Não Morre, Se Quem Fica O For Lembrando
  Também os Pisões e Lagares, fazem parte dos mecanismos artesanais que tiveram valiosa função, junto das comunidades rurais e no só. Pelos dados que tenho lido, os Pisões, de início, seriam com a função de pisoar o cereais e ou azeitona, mas a pouco e pouco a sua utilidade seria adquirida para outras actividades industriais, como a pisoagem de tecidos, lãs, e linho, para ficarem mais macios e consistentes. Aliás, a referência sobre o aproveitamento da energia hidráulica no século XIV, já não era só para moer os cereais servia também para esmagar e misturar substancias como papel, tecido etc.
  Os Lagares escavados na rocha são antiquíssimos na zona do Norte, (possivelmente para extração do vinho). No entanto, a moagem da azeitona e prensagem para extração do azeite foram sem dúvida os mais utilizados, principalmente com a adaptação de rodas verticais que forneciam mais força com uma simples queda de água. - A oliveira ter vindo para a Europa através dos fenícios e romanos visto que já há muito era cultivada por esses povos. Um dos documentos mais artigos onde mencionada em Portugal, na conquista de Lisboa em 11477; por um Cruzado inglês -Osberno -ao serviço do rei D. Afonso Henriques, que nos seus escritos se refere a Lisboa (Olissipo) "como um local abundante em todos os géneros, caros ou baratos e onde prospera a oliveira". (Doc. Joel Serrão adap.)- Também em 1179 e 1190, o azeite já era mencionado nos forais de Lisboa e Setúbal. A informação de grandes olivais em redor da cidade de Lisboa e Almada, ainda há poucas décadas era confirmada por trabalhadores das zonas rurais que fizeram nas cidades esse trabalho (colheita da azeitona). Inclusivamente a oliveira foi tendo grande expansão por todo o país pois, em qualquer cômoro, junto às povoações havia uma oliveira, talo seu valor quer na alimentação, iluminação e venda. Portugal fazia parte dos grandes produtores. Presentemente os olivais desapareceram para dar lugar a terrenos inóspitos, mesmo sendo um produto sem grande acompanhamento laboral durante o ano. E, assim os Lagares foram ficando desativados, mesmo quando alguém decide colher o fruto tem de recorrer a outros locais distantes, o que não compensa a despesa. É o caso da povoação de Cadafaz. Embora esta freguesia também fosse privilegiada com alguns desses engenhos, que mais pareciam fabricas artesanais, onde tudo funcionava sob a orientação do mestre e Moço lagareiro.
   Um dos lagares era nesta povoação nos "Portos", particular mas onde toda a comunidade fazia o azeite. Funcionou até cerca de 1950, entretanto parou e a degradação em conjunto com as quatro tulhas foi rápido. Várias sugestões de aproveitamento mas, como sempre "só promessas".
   Havia também outro Particular na povoação de Corterredor. Quanto aos outros dois, um na Candosa, construído em 1860/61 e outro, junto à antiga ponte de alvenaria entre Cadafaz-Cabreira, este mais antigo, (consta até ter havido também um Pisão). Mas estes últimos e um Moinho, têm um venerável e antigo historial, embora ao longo das últimas décadas, nem sempre tenham sido respeitados os fins a que se destinavam. A certeza porém que eles fazem parte de um património antigo e pertença do Povo, pelo que, são designados como Lagares do Povo da Freguesia do Cadafaz segundo os testemunhos escritos, verbais, e até já várias vezes publicados: foram construídos pelo povo antepassado, cujos proventos reverteriam para o Santíssimo Sacramento da Igreja Paroquial de Cadafaz, sendo de responsabilidade da Junta de Paróquia, verificar os procedimentos com todo o rigor. Incluído nessas benesses estavam os numerosos olivais que os fiéis ofereciam à igreja. Tudo seria respeitado até em situações imprevisíveis, como a de 1876 em que os três imóveis foram postos em arrematação em Coimbra (não sei a razão).Porém também nesta situação o povo esteve presente, fazendo um peditório em todas as povoações da freguesia e nomeou, designadamente pela Junta de Paroquia um elemento de uma das povoações da freguesia para representar o povo, fazendo a compra desse Património com a importância então obtida. O que se concretizou, voltando tudo à posse do povo. E, sobre o moinho também este foi construído, pelos mordomos do Santíssimo Sacramento no ano de 1831, e era arrematado todos os anos no Adro da Igreja pelas alturas do São Miguel, cuja importância revertia também para a igreja, - Como já referi: muita coisa tem mudado e, hoje interrogamo-nos: -A quem pertencem estes antigos engenhos? Quem é o responsável que zela e ou usufrui? Quem apenas deixa degradar e perder os imóveis e o seu espólio interior... isto se ainda existir algum artefacto antigo de laboração? Creio que compete a todos nós, comunidade e entidades o dever, honestidade e veneração de conservar algo que foi doado por antepassados que partiram na esperança de que as suas dádivas em vida, lhe concederiam graças eternamente.
Cont.
in O Varzeense de 30 de janeiro de 2013

NOTA: Como elemento da Direção da União Recreativa do Cadafaz informo que o lanche/convívio que se realizou após a distribuição do Bodo, não foi efetuado pela U.R. C.